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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

10 grandes pianistas do Jazz moderno.

Os criticos consideram que o Jazz se modernizou  a partir dos anos 40, com o advento do Bop. Realmente, a partir desta altura há uma consciencialização da parte dos músicos, e o jazz deixa de ser uma musica dançante e passa a ser uma forma de arte. E no que mais se diferencia o Bop do Swing é exactamente no uso do piano: uma maior acentuação da mão esquerda, acordes livres, e solos velozes pela mão direita, ao estilo dos trompetes. Como o post de 10 grandes pianistas do jazz classico, também este, será sempre uma lista pessoal, logo subjectiva. Sabendo que não será consensual, desde já me penitencio. E sabendo que outra lista, com outros "grandes", poderia ser feita: com Tommy Flannagan, John Lewis, Red Garland, Erroll Garner, Hank Jones, Sonny Clark, Bobby Timmons, Ray Charles e outros. Fica para uma sequela...


Earl Bud Powell (12 de setembro de 1924 - 31 de julho de 1966)Foi um dos mais influentes pianistas do jazz. Juntamente com Thelonious Monk, foi a peça chave na evolução do Bop. Dele se pode dizer que traduziu a energia e a técnica melódica de Charlie Parker para o piano. Influenciou Sonny Rollins ou Miles Davis.

Bill Evans(16 de agosto de 1929 - 15 de outubro de 1980)foi um dos mais famosos e influentes pianistas americanos do século e vencedor de vários Grammy Awards. Seu sentido harmónico e suas interpretações originais e muitas vezes surpreendentes de standards de jazz, tiveram um grande impacto sobre várias gerações de pianistas.Entre eles estavam, Herbie Hancock, Chick Corea, Keith Jarrett,ou guitarristas como Lenny Brea e Pat Metheny.

Thelonious Monk (10 de outubro de 1917 - 17 de fevereiro de 1982)Geralmente considerado um dos mais importantes músicos de Jazz de todos os tempos. Tinha um estilo único de improvisação e compôs grandes clássicos, tais como os standards Round Midnight ou Blue Monk.É muitas vezes considerado como o fundador do Bebop, embora o seu estilo de tocar tenha evoluído de forma diferente desta forma de jazz. Suas composições e improvisações são cheios de harmonia e delicadeza áspera, numa abordagem pouco ortodoxa a tocar piano, que combinava um ritmo explosivo espasmódico com pausas dramáticas.

Ahmad Jamal  (2 de julho de 1930) Ahmad Jamal foi uma das principais influências musicais de Miles Davis e está considerado como um dos mais relevantes pianistas da história do Jazz. Jamal é um pianista do cool e da tradição clássica jazzística
.

McCoy Tyner ( 11 de dezembro de 1938) é um pianista americano conhecido especialmente pelos seus trabalhos com o John Coltrane Quartet. Ao longo da sua carreira, tem tocado uma ampla variedade de estilos, embora sempre dentro da vanguarda jazzística: jazz progressivo, jazz modal, hard bop, etc; também se dedicou á musica afrocubana.

Wynton Kelly  Extraordinario acompanhante e distinto solista, Wynton Kelly foi um dos mais prolíficos músicos do seu tempo. O seu estilo impecável e elegante, criou escola entre muitos pianistas. É um dos músicos de Kind of Blue, que muitos consideram o melhor álbum da historia do jazz. 

Oscar Peterson (15 de agosto de 1925 - 23 dezembro de 2007) Pianista canadense e compositor, foi chamado o "marajá do teclado " por Duke Ellington. Lançou mais de 200 gravações, ganhou sete Grammy Awards, e recebeu inúmeros prémios e outras honrarias ao longo de sua carreira. É considerado como uma lenda do piano e teve uma carreira de mais de 60 anos.

Dave Brubeck (6 de dezembro de 1920), trata-se de um dos principais representantes do cool, e é um dos musicos de jazz mais populares. Liderou um dos melhores combos da historia, o Dave Brubeck Quartet, com Paul Desmond, que escreveu para a banda a composição Take Five. O estilo de Brubeck oscila entre o refinado e o exuberante, reflectindo influências da música clássica atrevendo-se com a improvisação.

Herbie Hancock (12 de Abril de 1940) é considerado um dos pianistas e compositores de jazz mais importantes e influentes. Trouxe para o jazz elementos da soul, do rock, do funk, e por ultimo até do hip-hop. Tocou sempre com os grandes nomes do jazz e fez parte do Miles Davis Quintet, dentro do qual redefiniu a secção rítmica. Apesar das suas experimentações a musica de Hancock, sempre se manteve melódica e acessível, alcançando alguns êxitos comerciais: Cantaloupe Island, Watermelon man, Chameleon ou Rock It.

Keith Jarrett (8 de maio de 1945) é um pianista e compositor que tanto toca jazz como  música clássica. Jarrett começou a tocar com Art Blackey, depois com Charles Lloyd e Miles Davis, e teve sempre grande sucesso como solista. Nas suas improvizações nota-se não só desenhos do jazz, mas tambem de outros géneros, especialmente  de musica clássica, do gospel, dos blues, e da musica folk.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: ROUND MIDNIGHT.

A composição do pianista Thelonious Monk carrega a grande distinção de ser o standard de jazz escrito por um musico com mais versões gravadas.  Monk escreveu Round Midnight, quando tinha apenas 18 anos. Oito anos depois, em 1944, outro grande pianista de jazz, Bud Powell, juntamente com Cootie Williams and His Orchestra gravou a canção. Segundo a versão mais badalada da história, Williams pouco ou nada modificou a composição. Em qualquer caso, compartilha o crédito da musica em termos de direitos autorais. Em 1949, Bernie Hanighen escreveu a letra e Jackie Paris foi a primeira a vocalizá-la. O grande ponto de viragem para o conhecimento de Round Midnight para o publico em geral, foi o desempenho de Miles Davis no Festival de Jazz de Newport em 1955, tocando a musica e obtendo enorme sucesso, um crítico chegou a chamá-la de "Hino Nacional de Jazz". É uma balada "after-hours", de tons quase palpáveis, que consegue soar nova e original, década após década. Bernie Hanighen escreveu a letra pungente sobre um caso de amor e a tristeza daí resultante. Para além da versão assombrosa de Miles Davis, tanto com Charlie Parker como com John Coltrane, é de ouvir o tratamento reverencial e soulful que Barry Harris, um dos intérpretes mais proeminentes da música de Monk, lhe oferece no álbum Chasin' the Bird, de 1996. Ou o sax alto, apaixonado e nervoso de Eric Dolphy no disco de George Russell, Ezz-Thetics de 1996. Entre as melhores vocalizações da musica, está a forma soulfully e acrobática da interpretação de Sarah Vaughan, a qualidade nebulosa de June Christy, ou o sentido básico, mas moderno, incutido por Jessica Williams, no álbum The Real Deal de 2004.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Standards do jazz: ALL THE THINGS YOU ARE

Musica composta por Jerome Kern para o musical da Broadway, Very Warm for May, em Novembro de 1939. Considerada por muitos musicos de jazz a mais perfeita das canções, é a gravação de Art Tatum que a dá a conhecer ao grande publico do jazz em 1940. Mas talvez seja a versão de Charlie Parker a mais famosa. A sua progressão de acordes tornou-a essencial para o movimento bebop, por isso não é surpreendente encontrar gravações definitivas da música vinda de gigantes do bop. O famoso concerto de Massey Hall 1953 ( Jazz at Massey Hall ) produziu uma versão clássica com Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach. Enquanto isso, outra versão clássica vem de Thelonious Monk em colaboração com Milt Jackson e o vocalista bop Kenny "Pancho" Hagood. Ao longo dos anos muitas outras versões se tornaram famosíssimas, algumas delas de beleza espectacular, como a do pianista cubano Gonzalo Rubalcaba, com Charlie Haden e o baterista Paul Motian, a do eclético pianista Keith Jarret ou a revisitação da musica por Sonny Rollins em colaboração com Coleman Hawkins. Ou ainda a energética leitura de Johnny Griffin, com John Coltrane e Lee Morgan.

Os melhores álbuns - Charlie Parker at Massey Hall

Com Charlie Parker no sax alto, Dizzie Gillespie no trompete, Bud Powell no piano, Charlie Mingus no contrabaixo e Max Roach na bateria.
Marco historico e padrão qualitativo de todos os quintetos be-bop. Há um parâmetro no jazz: quanto mais personalizadamente fortes sãos os musicos de um agrupamento, mais dificil se torna a reconciliação das linguagens ao nível do colectivo. Mas esta sessão, ao vivo em Toronto, no Massey Hall vem desmistificar a regra generalizada. Todos os momentos de solo deste disco são exuberantes, extrovertidos, tendo como catalizadores a acidez humoristica de Dizzie Gillespie, o intenso sentido ritmico de Roach, a angustia latente de Bud Powell e o espirito sinuoso e inovador do genio de Parker. Neste disco, os musicos não vivem em paz, mas na euforia, não se reconciliam, antes pelo contrario são desleais e pérfidos na suas improvisações, obrigando-se a um constante alerta. Disco de emoções á flor da pele. Ironia mordaz. O mundo de Parker. Um dos melhores discos de sempre.
  Musicas: Perdido (Juan Tizol, Hans Lengfelder, Ervin M. Drake), Salt Peanuts (Dizzy Gillespie, Kenny Clarke), All the Things You Are (Jerome Kern, Oscar Hammerstein II), 52nd Street Theme (Thelonious Monk), Wee (Allen's Alley) (Denzil Best) ,Hot House (Tadd Dameron), A Night in Tunisia (Gillespie, Frank Paparelli).