"...jazz é como um estilo que pode ser aplicado a qualquer tipo de canção." Jelly Roll Morton
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domingo, 15 de janeiro de 2012
A tristeza no Jazz.
Talvez Lester Young tenha sido a personagem mais triste, entre todos os grandes nomes do jazz. No livro de Ben Ratliff , "Jazz: A Critic's Guide to the 100 Most Important Recordings", o autor fala de Lester Young e da sua lendária tristeza, geralmente atribuída à obrigação de cumprir o serviço militar: "Young era um notável intérprete, e a sua musica possuía uma qualidade tão intensa que se um actor a personificasse, seria Peter Lorre, com os seus olhos enormes e assustados, como os de um musico de jazz amador que vai tocar pela primeira vez com o seu musico preferido.".
Mas quando se ouve a musica de Lester Young não sobressai só a tristeza, ou então é como se o saxofonista nos dissesse: "Ok, se gostas da tristeza, perfeito. Se precisas desta arte para te sentires triste, perfeito. Mas não associes a tristeza que sentes ao ouvir a minha arte com a tristeza que eu sinto ao tocá-la. Há uma distância entre ambas". A musica de Young tem essa ambiguidade, a de ser eternamente triste, junto com a capacidade de nos fazer lembrar que os artistas são os mais esperançosos de todos os seres humanos.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Swing: Coleman Hawkins
Coleman Randolph Hawkins ((San José, 21 de novembro de 1904 - New York, 19 de maio de 1969), foi um músico norte-americano, o pai do sax tenor moderno.
Coleman 'Bean' Hawkins é uma figura notável na história do jazz. Aprendeu piano aos cinco anos, ensinado pela mãe. Estudou violoncelo e, aos nove anos, ganhou o primeiro sax-tenor.
Em 1923, aos 16 anos, Bean chegou a Nova York para acompanhar a cantora de blues Mamie Smith. De 1923 a 1934 tocou na mãe de todas as big bands, a Fletcher Henderson Orchestra. Em seguida foi para a Europa, e ao voltar para os EUA, em 1939, gravou "Body and Soul", um dos seus maiores sucessos. Tocou com quase todos os grandes músicos do bebop, e também participou do Jazz At The Philarmonic de Norman Granz. Chegou a experimentar fazer gravações como solista sem acompanhamento ('Picasso', de 1947). Nos anos 50 e 60 liderou diversos grupos pequenos, sempre rodeado de musicos de primeira água por quem era muito respeitado e admirado.
É considerado o pai do sax tenor moderno (papel que possivelmente divide com Lester Young). Na época em que Hawkins ingressou na cena musical, o sax tenor ainda era considerado basicamente um instrumento de acompanhamento, sendo pouco comum a sua utilização como solista. Mas Coleman não foi só um grande solista da era Swing, no sentido amplo do termo foi um grande solista moderno.
A carreira de Hawkins foi longa e produtiva: tendo começado a tocar mais ou menos na época em que foram feitas as primeiras gravações de jazz, prosseguiu durante a era do bebop e do swing, e chegou a testemunhar as vanguardas do final dos anos 60, evoluindo continuamente.
Hawinks possui uma sonoridade cheia e encorpada. Sabe tanto ser vibrante e intenso nos temas rápidos e dramáticos como meditativo e sereno nas baladas lentas. Miles Davis diria que aprendeu a tocar baladas ouvindo Hawkins: "É um grande improvisador! O seu discurso musical é um fluir consistente e incessante de idéias. A serenidade e o equilíbrio da música correspondiam às características do ser humano."
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