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sábado, 14 de janeiro de 2012

Porque a Jamaica não é só Reggae.

Durante uma carreira de cinco décadas, o pianista Monty Alexander construiu uma reputação lendária, explorando e preenchendo os mundos do jazz americano, a canção popular, e a música de sua Jamaica natal, encontrando em cada um, um sincero espírito de expressão musical. Explorando as profundezas de toda esta rica diversidade musical e cultural.
Neste processo, apresentou-se e gravou com artistas de todos os cantos do universo musical e do mundo do entretenimento: Frank Sinatra, Tony Bennett, Ray Brown, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins, Clark Terry, Quincy Jones, Ernest Ranglin, Barbara Hendricks, Bill Cosby, Bobby McFerrin, Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, e muitos, muitos outros. Nascido a 6 de junho de 1944 (Dia D) em Kingston, Jamaica, Monty teve as suas primeiras lições de piano aos seis anos, embora seja em grande parte autodidata. Em 1961 foi para os Estados Unidos e, em menos de dois anos, estava a actuar no Jilly Club, acompanhando Frank Sinatra e outros. Conhece o vibrafonista Milt Jackson, do Modern Jazz Quartet. que o contrata e, finalmente, apresenta-o a Charlie Parker e ao lendário baixista Ray Brown. Alexander gravou e tocou com os dois gigantes do jazz em muitas ocasiões. Entre os maiores entusiastas da sua forma de tocar estão as grandes luminárias do jazz da altura, nem mais nem menos que Duke Ellington, Count Basie e Miles Davis. Por estes dias, Alexander mantém uma activa agenda de shows em clubes de jazz mais íntimo, ou em salas de concertos e festivais de jazz, ao redor do globo. Suas colaborações abrangem vários gêneros, estilos e gerações. Seus projectos têm sido variadíssimos: foi parte importante no álbum Unforgettable de Natalie Cole, dedicado a seu pai, Nat King Cole (o álbum recebeu sete prémios Grammy); sob a direcção de Bobby McFerrin tocou Rhapsody in Blue, de Gershwin, no Festival de Verbier, na Suíça : gravou várias faixas de piano para a para a trilha sonora do aclamadissimo Bird de Clint Eastwood, um filme sobre a vida de Charlie Parker. Em agosto de 2000, o governo jamaicano concedeu a Monty Alexander o título de Comandante da Ordem de Distinção por serviços relevantes para a Jamaica como um embaixador da música mundial. Foi listado por Hal Leonard em seu livro, "Os Cinqüenta Maiores Pianistas de Jazz de todos os tempos" como o numero cinco. O seu desempenho em 1976 no Festival Jazz de Montreux (Suíça), com o baterista Jeff Hamilton e o baixista John Clayton tornou-se uma das mais célebres gravações ao vivo do jazz contemporâneo. No Verão de 2005 gravou no Tuff Gong Studio em Kingston, um set de doze composições de Bob Marley, reinterpretados ao piano com arranjos seus. A união resultante destas duas perspectivas musicais pode ouvir-se em Concrete Jungle: álbum que mergulha a fundo na lenda Marley e reúne os dois maiores tesouros de Monty Alexander definindo a própria essênçia do seu ofício, a musica das suas origens, explanada em bob Marley, e a sua forma de viver, o tocar Jaz.
z.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As sonoridades únicas de Bill Frisell

Frisell descobriu o jazz na música de Wes Montgomery, e foi colega de escola de Pat Metheny, na Berklee School of Music. Jim Hall foi também uma influência importante, principalmente em termos de melodia. Em meados dos anos 70, Frisell começou a afastar-se do puro bebop e começou a fundir outros interesses musicais. Foi por volta desta época que começou a desenvolver o seu som atmosférico, quase mictrotonal. Frisell descobriu que, usando uma guitarra com um pescoço flexível, podia manipular a entonação do instrumento. Uma combinação de técnicas experimentais e processadores de sinal, como delay e reverb, deu a Frisell um som diferente de qualquer outro guitarrista. Um som sofisticado mas acessível que lhe valeu ser requisitado por inúmeras vezes para gravar com Jan Garbarek ou Paul Motian, ou com os músicos de jazz experimental, John Zorn e Tim Berne. Embora Frisell seja mais conhecido pela sua técnica de guitarra, o seu dedilhado que lhe proporciona um som "ambient", e o seu jazz harmonicamente fluente, a sua estética transcende as fronteiras de qualquer estilo determinado. Mas talvez seja a sua liberalidade musical - a sua música inclui características de rock, country, bluegrass e variados estilos - que lhe proporciona aquela paleta de sons que vai além dos guitarristas do jazz típico. Bill Frisell é um dos músicos mais singulares da sua geração. Para além das ínumeras contribuições com outros artistas, como Jan Garbarek (Paths, Prints de 1981), ou o baterista Paul Motian (Psalm (1982), ou Vinicius Cantuária (Lágrimas Mexicanas em 2010), é de ouvir com deleite o recente "All We Are Saying, Frisell Plays Lennon", uma revisitação dos clássicos de John Lennon, com o guitarrista Greg Leisz, Jenny Scheinman no violino, Tony Scherr no baixo e a bateria de Kenny Wollesen.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O Jazz de Sting.

Quando, em 1985, Sting se separou da sua banda, The Police, surpreendeu todos os seus fãs com o seu álbum de estreia, The Dream of the Blue Turtles, fortemente inclinado na direção Jazz. Para reforçar a sua credibilidade junto do mundo jazzistico recrutou musicos de primeira água da banda de apoio de Wynton Marsalis, como o irmão deste, Branford Marsalis, Kenny Kirkland, Darryl Jones e Omar Hakim. O álbum provou ser um enorme sucesso, gerando no top ten, singles como, If You Love Somebody, Fortress Around Your Heart, e Love Is the Seventh Wave, ganhando o Grammy de melhor álbum europeu. Embalado pela aceitação comercial e da crítica, Sting leva a banda de estúdio para a estrada e o resultado é o CD de 1986 e documentário, Bring on the Night, um testemunho do talento e da diversidade musical do artista.
 O documentário retrata os ensaios da banda para a turné, com Sting claramente obcecado em parecer autêntico aos olhos dos fãs de jazz. Vê-lo treinar com seus companheiros de banda proporciona momentos de puro entretenimento, mas as apresentações ao vivo são a âncora do filme. O pontapé de saída é uma jam session que entrelaça Bring on the Night e When the world is running down: o solo de Kenny Kirkland ao piano é o tour de force que define o tom para o resto da noite, mas é Branford Marsalis que funciona como peça central da banda. Canções como "Low Life" e "Moon Over Bourbon Street" são exemplos perfeitos da sua capacidade para fundir jazz, rock e soul nos seus solos de sax. Outras musicas que recebem uma perfeita roupagem jazz são Driven To Tears, One World (Not Three), Another Day e Demolition Man. Em geral, Bring on the Night demonstra a estreita relação existente entre o jazz eo rock, e como os dois se podem complementar. Bring on the Night exemplifica a alegria e a espontaneidade que deve existir numa performance ao vivo. É tambem o álbum charneira da incursão relativamente breve de Sting no Jazz - a sua carreira continuou virada para o pop rock -, mas continua a ser um dos grandes álbuns ao vivo até hoje.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A magnifica Patricia Barber.*

Sobre a mais interessante figura do jazz dos tempos actuais, Patricia Barber, a revista W escreveu: «Tem a voz de uma cantora de cabaré, a alma de um poeta beatnick e a mente de um professor de Inglês.» Inspirada maneira de descrever as inúmeras qualidades desta mulher: grande voz, uma letrista e compositora formidável, excelente pianista e ousada na forma como desdenha os «estilos musicais», classificações mais próprias de críticos do que de músicos, sobretudo os mais jazzísticos. Digo isto porque o jazz é em si música de fusão, resultado do encontro de duas grandes culturas, africana e europeia. «As pessoas tentam tornar-se donas da música», afirma ela, «mas a música não se deixa conter. Apesar de todos aqueles que não querem que a música mude, esta arranja sempre uma forma de se escapar como um curso de água entre as pedras». A vontade de incorporar no jazz tudo o que lhe soa bem mostrou-a logo sem reservas no seu disco de estreia, Distortion of Love, de 1992, quando incluiu no repertório o tema My Girl, de Smokey Robinson. À época nenhum músico de jazz o fazia. Foi preciso esperar um ano para que Cassandra Wilson gravasse Blue Light Till Dawn. Arrasar barreiras musicais é o que faz brilhantemente em Mythologies, um projecto que talvez ajude a perceber por que razão a W se referia à «mente de um professor de Inglês.» Barber criou um ciclo de canções baseado nas Metamorfoses, de Ovídio, escrita no ano 14. As Metamorfoses são compostas por um conjunto de 15 livros nos quais Ovídio descreve a criação e história do mundo segundo a mitologia greco-romana. Eu nunca li e até descobrir o disco de Barber não fazia ideia de quem era Ovídio – se há algo que a passagem dos anos nos dá é uma maior consciência da nossa ignorância. Fui tentar saber um bocadinho mais sobre estas Metamorfoses e descobri que um dos temas recorrentes da obra é o amor – o amor pessoal. Mythologies é um assombro. Magníficas letras, contrastes, ironias, paixões, sarcasmos, músicas, fusões espectaculares entre linguagens musicais diferentes. Quando o álbum saiu em 2006 a revista JazzTimes descreveu Patricia Barber como «a mais corajosa, intelectualmente estimulante e, por conseguinte, a mais interessante compositora, cantora e pianista da cena jazzística americana.» A primeira faixa – The Moon – revela bem o tremendo disco que é Mythologies. Sendo assim…

* artigo de Marco Santos no blog Bitaites.