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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os magos do trompete clássico.

O trompete foi com o piano o primeiro grande instrumento do jazz, já que o saxofone só nos fins dos anos 20, princípios dos 30 se tornou notado. O trompetista que mais documentação nos deixou dos primórdios do jazz foi King Oliver, o "rei" do New Orleans, com uma sonoridade brilhante, construía melodias sobre ritmos sincopados e frases de inolvidável imaginação. Construiu as raízes dessa estética que se formava então. Depois Louis Armstrong, a figura mais carismática de todo o jazz, não só pela sua polivalência (cinema, shows, TV), mas porque "The Satchmo" impôs-se como o maior trompetista de sempre, e com Duke Ellington e Miles Davis, foi o maior expoente de todo o jazz. Todo o trompetista terá de observar Armstrong como numa religião se cumprem os sacramentos religiosos.
Sidney Bechet celebrizou-se no contexto das improvisações colectivas onde exibia rara virtuosidade, chama vibrante de cores, sendo dos exemplos mais notáveis da integração dos som individual na massa sonora orquestral.
Bix Beiderbecke possuía uma técnica clássica admirável. Se Armstrong aproveitava qualquer melodia, Beiderbecke estava mais preocupado com o contexto harmónico em que se desenvolvia a composição. Se Louis era hot, Bix era cool.
Rex stewart no swing deixou-nos páginas admiráveis de delirante imaginação. O seu som estrangulado, sensualmente penetrante estava voltado para a grandiosidade selvagem e primitiva da arte negra.
Henry Red Allen, músico de execução vertiginosa, de temas vigorosos que atingem grande lirismo, e considerado o grande rival de Armstrong nesta altura.
No jazz moderno aparece Dizzie Gillespie, o Armstrong do jazz moderno: a mesma veia humoristica, ambos trompetistas, ambos cantores prodigiosos, ambos showmen divinizados. Mas com décadas a separar o aparecimento de um e de outro, Gillespie surge como a clivagem relativamente á musica de Armstrong. Foi o trompete de Gillespie a revolucionar o trompete armstronguiano, porque Dizzie é figura icónica do bebop.

Miles Davis, o ponta de lança do cool. Tons sombrios, cores impressionistas, swing introvertido, nenhum como Miles soube traduzir a estética do jazz. Embora a sua música não fosse tão acessivel como a de Gillespie, Miles foi no periodo do cool o musico mais admirado do jazz.
Quem abriu lugar á entrada do funky no jazz, foi Clifford Brown. Com um controlo admirável e cool das sonoridades extraídas do trompete, Clifford legou páginas imortais do jazz, tendo falecido precocemente em desastre de automóvel.
Nat Adderley, foi um musico da craveira do seu irmão Cannonball, e teve função tão importante para os trompetistas como aquele para os sax alto.
Chet Baker improvisava com sentimento. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que lhe valeu o rótulo de cool.
 No jazz actual e ainda em actividade temos Donald Byrd, desprezado pelos puristas do jazz e adorado pelos fãs do jazz-funk que o consideram um dos músicos mais inovadores deste estilo, é um estilista sólido com um tom limpo, articulação clara, e um particular dom para melodia.
Wynton Marsalis é considerado um dos maiores virtuosos do trompete actual. Conecido pela sua sua sisudez e seriedade, músico polêmico, é considerado "embaixador da música americana" pelo seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais.
Finalmente Arturo Sandoval, o trompetista cubano, conhecido pela sua criatividade no improviso, pela agilidade e rapidez, e que tem uma enorme facilidade nas notas agudas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: MY FUNNY VALENTINE

My Funny Valentine é uma balada do musical da Broadway, Babes in Arms, composta por Richard Rodgers, com letra de Lorenz Hart, em 1937. Tornou-se imensamente popular com as versões de Chet Baker e de Miles Davis. Em 1952, Chet Baker gravou-a com Gerry Mulligan, uma gravação que se tornou registo de culto, uma versão assombrosa sem duvida ajudada pela acústica do Clube Blackhawk, em San Francisco, onde foi gravada. Em 1956, Miles Davies fez uma das suas primeiras gravações, com um dos seus mais famosos quintetos, constituidos por Red Garland no piano, Paul Chambers no baixo, Philly Joe Jones na bateria e o grande e inevitável sax tenor, John Coltrane. Em 1959, Miles faz outra versão impressionante ao vivo num show no New York Plaza Hotel, registada no disco Jazz at the Plaza. Baker e Miles são os dois trompetistas mais associados ao movimento cool jazz, mas esta musica faz hoje parte do reportório clássico de muitos músicos do jazz moderno, que não descuram as interessante mudanças que a melodia proporciona e inspira: o brilhante pianista cubano, Chucho Valdes, encontra toda a alma latina dentro desta canção no álbum Live at the Village Vanguard, de 2000, com selo da Blue Note; Jacky Terrasson em Sorriso, de 2003, também da Blue Note, faz igualmente uma versão maravilhosa, perfeita e equilibrada. Matt Damon canta-a no filme de Minghella, The talented Mr. Ripley, assim como a belíssima Michelle Pfeiffer em Os Fabulosos irmãos Baker. Faz parte do Great American Songbook, e é uma das musicas preferidas para o Dia dos Namorados.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Algumas musicas para ouvir quando estás down...

Algumas musicas que ouço quando não me sinto bem. Com umas fico melancólico, com outras sinto-me mais romãntico, não me curam de coisa nenhuma, mas nunca me deixam indiferente. Não é uma lista definitiva, nem nunca poderia ser, mas é um bom começo...

 Joe Williams & George Shearing - Heart and Soul

 Chet Baker - There Will Never Be Another You

Miles Davis - Bye Bye Blackbird
 

Jimmy Smith with Stanley Turrentine - I Almost Lost My Mind

 Louis Prima - Just a Gigolo
 

 Sonny Rollins with the Modern Jazz Quartet - In a Sentimental Mood

domingo, 8 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: SUMMERTIME

Summertime é uma canção de embalar composta por George Gershwin com letra de DuBose Heyward, Dorothy Heyward e Ira Gershwin para a ópera Porgy and Bess, em 1935. Ganhou enorme popularidade desde a sua estreia e foi rapidamente adoptada e adaptada por muitos músicos de jazz. Gershwin começou a compor a música em dezembro de 1933, tentando criar os seus próprios "espirituais", inspirando-se no estilo Afro-Americano de música popular na época. A música é tocada várias vezes ao longo da ópera Porgy and Bess, por Clara no Acto I, como uma canção de embalar enquanto adormece o seu bébe. Depois, é novamente interpretado por Clara como um contraponto à cena do jogo de palmas, no Acto II. E finalmente, no Acto III, interpretado por Bess, cantando para a Clara quando bebé.
. Tornou-se uma das canções com mais versões ao longo do sec. XX, cerca de 25.000, fazendo parte do Great American Songbook.A gravação de Billie Holiday, em Setembro de 1936, foi a primeira a chegar aos tops dos EUA. Outras gravações notáveis ​​são as de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald em 1957, Gene Vincent e Miles Davis em 1958, Sam Cooke, em 1961, Janis Joplin em 1968. A versão de maior sucesso comercial foi a de Billy Stewart, que alcançou a posição 10 na Billboard Hot 100 em 1966. Os The Doors gravaram a canção nos álbuns ao vivo Live at the Matrix, de 1967, e Live in Boston. Outros grandes nomes fizeram gravações notáveis, Al Green, Angélique Kidjo, Bessie Smith, Charlie Parker, Chet Baker, Coleman Hawkins, Eva Cassidy, Sinatra, George Benson ou John Coltrane.