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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Jazz no cinema: "Si tu vois ma mére" em Midnight in Paris

Nunca ninguém conseguiu filmar uma cidade como Woody Allen. E é bem conhecida a sua paixão pelo Jazz. No inicio de Midnight in Paris, Allen faz uma brilhante fusão entre as duas coisas: filmar Paris, tendo como fundo a música de Sidney Bechet.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os magos do trompete clássico.

O trompete foi com o piano o primeiro grande instrumento do jazz, já que o saxofone só nos fins dos anos 20, princípios dos 30 se tornou notado. O trompetista que mais documentação nos deixou dos primórdios do jazz foi King Oliver, o "rei" do New Orleans, com uma sonoridade brilhante, construía melodias sobre ritmos sincopados e frases de inolvidável imaginação. Construiu as raízes dessa estética que se formava então. Depois Louis Armstrong, a figura mais carismática de todo o jazz, não só pela sua polivalência (cinema, shows, TV), mas porque "The Satchmo" impôs-se como o maior trompetista de sempre, e com Duke Ellington e Miles Davis, foi o maior expoente de todo o jazz. Todo o trompetista terá de observar Armstrong como numa religião se cumprem os sacramentos religiosos.
Sidney Bechet celebrizou-se no contexto das improvisações colectivas onde exibia rara virtuosidade, chama vibrante de cores, sendo dos exemplos mais notáveis da integração dos som individual na massa sonora orquestral.
Bix Beiderbecke possuía uma técnica clássica admirável. Se Armstrong aproveitava qualquer melodia, Beiderbecke estava mais preocupado com o contexto harmónico em que se desenvolvia a composição. Se Louis era hot, Bix era cool.
Rex stewart no swing deixou-nos páginas admiráveis de delirante imaginação. O seu som estrangulado, sensualmente penetrante estava voltado para a grandiosidade selvagem e primitiva da arte negra.
Henry Red Allen, músico de execução vertiginosa, de temas vigorosos que atingem grande lirismo, e considerado o grande rival de Armstrong nesta altura.
No jazz moderno aparece Dizzie Gillespie, o Armstrong do jazz moderno: a mesma veia humoristica, ambos trompetistas, ambos cantores prodigiosos, ambos showmen divinizados. Mas com décadas a separar o aparecimento de um e de outro, Gillespie surge como a clivagem relativamente á musica de Armstrong. Foi o trompete de Gillespie a revolucionar o trompete armstronguiano, porque Dizzie é figura icónica do bebop.

Miles Davis, o ponta de lança do cool. Tons sombrios, cores impressionistas, swing introvertido, nenhum como Miles soube traduzir a estética do jazz. Embora a sua música não fosse tão acessivel como a de Gillespie, Miles foi no periodo do cool o musico mais admirado do jazz.
Quem abriu lugar á entrada do funky no jazz, foi Clifford Brown. Com um controlo admirável e cool das sonoridades extraídas do trompete, Clifford legou páginas imortais do jazz, tendo falecido precocemente em desastre de automóvel.
Nat Adderley, foi um musico da craveira do seu irmão Cannonball, e teve função tão importante para os trompetistas como aquele para os sax alto.
Chet Baker improvisava com sentimento. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que lhe valeu o rótulo de cool.
 No jazz actual e ainda em actividade temos Donald Byrd, desprezado pelos puristas do jazz e adorado pelos fãs do jazz-funk que o consideram um dos músicos mais inovadores deste estilo, é um estilista sólido com um tom limpo, articulação clara, e um particular dom para melodia.
Wynton Marsalis é considerado um dos maiores virtuosos do trompete actual. Conecido pela sua sua sisudez e seriedade, músico polêmico, é considerado "embaixador da música americana" pelo seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais.
Finalmente Arturo Sandoval, o trompetista cubano, conhecido pela sua criatividade no improviso, pela agilidade e rapidez, e que tem uma enorme facilidade nas notas agudas.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

New Orleans: Sidney Bechet

Sidney Bechet, New Orleans 14 de maio de 1897 - París 14 de maio de 1959



Bechet começou a tocar clarinete aos 6 anos de idade, sendo assinalado pelos seus contemporâneos como um menino prodígio nesse instrumento.
Integrou varias "brass bands" de New Orleans até se mudar para Chicago, em 1917 onde toca com Freddie Keppard e Joe "King" Oliver.
Em 1919 viajou para a Europa com a Southern Syncopated Orchestra de Will Marion Cook, onde alem de tocar clarinete, executou uma peça num pequeno acordeon. As suas apresentações em Londres chamam a atenção do director de orquestra Ernest Ansermet, que lhe dedicou uma elogiosa passagem num artigo de opinião de uma revista especializada, a qual segundo se afirma, foi a primera crítica periodística sobre um músico de jazz: onde se afirmava "Sidney Bechet é un génio."
Na sua estadia em Londres interessa-se pelo saxofone soprano, instrumento que adopta e utiliza cada vez com mais frequência do que o clarinete.
De regresso aos Estados Unidos em 1922, a Nova Iorque, grava o seu primeiro registo discográfico, em 30 de Julho de 1923, com a Clarence Williams Blue Five: os temas Wild Cat Blues e Kansas City Man Blues.
Entre 1924 e 1925 realizou uma serie de memoráveis gravações com Louis Armstrong, que também havia integrado os conjuntos de Clarence Williams.
Em 1925, tocando na orquesta Revue Négre, acompanha Joséphine Baker para Paris, permanecendo na Europa até 1931, visitando diversos países e passando quase um ano numa prisão francesa em 1928, por envolvimento numa briga entre musicos.
Depois daquele "retrocesso" de 11 meses, continua correndo a Europa, regressando novamente aos Estados Unidos onde ingressa na orquestra Nobble Sissle. Em 1932 forma com o trompetista Tommy Ladnier um grupo chamado The New Orleans Feetwarmers, com a qual grava seis títulos de notória qualidade (entre eles Maple Leaf Rag).
A partir de 1938, empreende uma carreira como líder de diversas agrupações, sendo parte importante da corrente revivalista do jazz de New Orleans, tocando e gravando em diferentes cidades e circunstâncias, produzindo abundante material onde o saxofone soprano era a voz líder dos conjuntos.
Em 1939 realiza uma serie de gravações para o recentemente criado selo discográfico Blue Note, de Alfred Lion, entre as quais sobressai uma excelente e inovadora versão instrumental do clássico de George Gershwin "Summertime".
Em 1941 realiza uma experiênçia inédita para a época: uma sessão na qual interpreta seis instrumentos (clarinete, saxofone soprano, saxofone tenor, piano, contrabaixo e batería), que são gravados uma pista sobre a outra, para constituir a Sidney Bechet's one man band, o primeiro intento de gravação de um só musico que se tenha noticia.
Em 1949 viaja para França para participar no Festival de Jazz de París, na Salle Pleyel. Suas interpretações cativam o publico francês e no ano seguinte volta a París onde se estabelece definitivamente, convertendo-se numa celebridade do movimento de jazz tradicional francês, integrando as formações dos clarinetistas Claude Luter e André Reweliotty.
Em 1951 contrai matrimonio con Elisabeth Ziegler (com quem havia tido uma relação em Berlin na década de 1920), numa cerimonia apoteótica que teve lugar na vila de Juan-Les-Pins. Nesse ano compõe um dos seus maiores êxitos, Petite Fleur.
Em 1954 nasce seu único filho, Daniel, e depois de quase dez anos de residência permanente em França, com várias apresentações por toda a Europa, varios discos de ouro e muitos êxitos. Cai doente de cancro de pulmão, falecendo em París em 14 de Maio de 1959, no mesmo dia em que cumpria 62 anos.
"Bechet foi para mim o verdadeiro epítome do jazz... tudo o que ele tocou ao longo de toda a sua vida foi completamente original. Honestamente penso que ele foi o unico homem que eu queria ser nesta musica." —Duke Ellington