Quatro grandes momentos da eterna Billie Holiday. Para ouvir com muito carinho.
Toda a dor angustiante nos olhos de Lady Day. No Olympia de Paris...
...uma das suas melhores interpretações, com Jimmy Rowles no piano...
... com o grande Louis Armstrong. A fina flor do Jazz...
... toda a beleza e elegância de Billie a cantar Gershwin, It's going to be like dying, Porgy!
Eternamente.
"...jazz é como um estilo que pode ser aplicado a qualquer tipo de canção." Jelly Roll Morton
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Os magos do trompete clássico.
O trompete foi com o piano o primeiro grande instrumento do jazz, já que o saxofone só nos fins dos anos 20, princípios dos 30 se tornou notado.
O trompetista que mais documentação nos deixou dos primórdios do jazz foi King Oliver, o "rei" do New Orleans, com uma sonoridade brilhante, construía melodias sobre ritmos sincopados e frases de inolvidável imaginação. Construiu as raízes dessa estética que se formava então.
Depois Louis Armstrong, a figura mais carismática de todo o jazz, não só pela sua polivalência (cinema, shows, TV), mas porque "The Satchmo" impôs-se como o maior trompetista de sempre, e com Duke Ellington e Miles Davis, foi o maior expoente de todo o jazz. Todo o trompetista terá de observar Armstrong como numa religião se cumprem os sacramentos religiosos.
Sidney Bechet celebrizou-se no contexto das improvisações colectivas onde exibia rara virtuosidade, chama vibrante de cores, sendo dos exemplos mais notáveis da integração dos som individual na massa sonora orquestral.
Bix Beiderbecke possuía uma técnica clássica admirável. Se Armstrong aproveitava qualquer melodia, Beiderbecke estava mais preocupado com o contexto harmónico em que se desenvolvia a composição. Se Louis era hot, Bix era cool.
Rex stewart no swing deixou-nos páginas admiráveis de delirante imaginação. O seu som estrangulado, sensualmente penetrante estava voltado para a grandiosidade selvagem e primitiva da arte negra.
Henry Red Allen, músico de execução vertiginosa, de temas vigorosos que atingem grande lirismo, e considerado o grande rival de Armstrong nesta altura.
No jazz moderno aparece Dizzie Gillespie, o Armstrong do jazz moderno: a mesma veia humoristica, ambos trompetistas, ambos cantores prodigiosos, ambos showmen divinizados. Mas com décadas a separar o aparecimento de um e de outro, Gillespie surge como a clivagem relativamente á musica de Armstrong. Foi o trompete de Gillespie a revolucionar o trompete armstronguiano, porque Dizzie é figura icónica do bebop.
Miles Davis, o ponta de lança do cool. Tons sombrios, cores impressionistas, swing introvertido, nenhum como Miles soube traduzir a estética do jazz. Embora a sua música não fosse tão acessivel como a de Gillespie, Miles foi no periodo do cool o musico mais admirado do jazz.
Quem abriu lugar á entrada do funky no jazz, foi Clifford Brown. Com um controlo admirável e cool das sonoridades extraídas do trompete, Clifford legou páginas imortais do jazz, tendo falecido precocemente em desastre de automóvel.
Nat Adderley, foi um musico da craveira do seu irmão Cannonball, e teve função tão importante para os trompetistas como aquele para os sax alto.
Chet Baker improvisava com sentimento. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que lhe valeu o rótulo de cool.
No jazz actual e ainda em actividade temos Donald Byrd, desprezado pelos puristas do jazz e adorado pelos fãs do jazz-funk que o consideram um dos músicos mais inovadores deste estilo, é um estilista sólido com um tom limpo, articulação clara, e um particular dom para melodia.
Wynton Marsalis é considerado um dos maiores virtuosos do trompete actual. Conecido pela sua sua sisudez e seriedade, músico polêmico, é considerado "embaixador da música americana" pelo seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais.
Finalmente Arturo Sandoval, o trompetista cubano, conhecido pela sua criatividade no improviso, pela agilidade e rapidez, e que tem uma enorme facilidade nas notas agudas.
Sidney Bechet celebrizou-se no contexto das improvisações colectivas onde exibia rara virtuosidade, chama vibrante de cores, sendo dos exemplos mais notáveis da integração dos som individual na massa sonora orquestral.
Bix Beiderbecke possuía uma técnica clássica admirável. Se Armstrong aproveitava qualquer melodia, Beiderbecke estava mais preocupado com o contexto harmónico em que se desenvolvia a composição. Se Louis era hot, Bix era cool.
Rex stewart no swing deixou-nos páginas admiráveis de delirante imaginação. O seu som estrangulado, sensualmente penetrante estava voltado para a grandiosidade selvagem e primitiva da arte negra.
Henry Red Allen, músico de execução vertiginosa, de temas vigorosos que atingem grande lirismo, e considerado o grande rival de Armstrong nesta altura.
No jazz moderno aparece Dizzie Gillespie, o Armstrong do jazz moderno: a mesma veia humoristica, ambos trompetistas, ambos cantores prodigiosos, ambos showmen divinizados. Mas com décadas a separar o aparecimento de um e de outro, Gillespie surge como a clivagem relativamente á musica de Armstrong. Foi o trompete de Gillespie a revolucionar o trompete armstronguiano, porque Dizzie é figura icónica do bebop.
Miles Davis, o ponta de lança do cool. Tons sombrios, cores impressionistas, swing introvertido, nenhum como Miles soube traduzir a estética do jazz. Embora a sua música não fosse tão acessivel como a de Gillespie, Miles foi no periodo do cool o musico mais admirado do jazz.
Quem abriu lugar á entrada do funky no jazz, foi Clifford Brown. Com um controlo admirável e cool das sonoridades extraídas do trompete, Clifford legou páginas imortais do jazz, tendo falecido precocemente em desastre de automóvel.
Nat Adderley, foi um musico da craveira do seu irmão Cannonball, e teve função tão importante para os trompetistas como aquele para os sax alto.
Chet Baker improvisava com sentimento. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que lhe valeu o rótulo de cool.
No jazz actual e ainda em actividade temos Donald Byrd, desprezado pelos puristas do jazz e adorado pelos fãs do jazz-funk que o consideram um dos músicos mais inovadores deste estilo, é um estilista sólido com um tom limpo, articulação clara, e um particular dom para melodia.
Wynton Marsalis é considerado um dos maiores virtuosos do trompete actual. Conecido pela sua sua sisudez e seriedade, músico polêmico, é considerado "embaixador da música americana" pelo seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais.
Finalmente Arturo Sandoval, o trompetista cubano, conhecido pela sua criatividade no improviso, pela agilidade e rapidez, e que tem uma enorme facilidade nas notas agudas.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Os grandes festivais: NEWPORT JAZZ FESTIVAL.
Mas incidentes graves interrompem o festival: o público é demais, centenas de pessoas que não podem obter bilhete acumulam-se nas encostas de uma colina próxima, e os incidentes ocorrem: as cercas entram em colapso, quebrando no meio dos concertos públicos. Na noite de sábado, os problemas são particularmente importantes, levando o produtor George Wein, que temia um tumulto, a cancelar o concerto dos Led Zeppelin, marcado para o dia seguinte. Devido a este anúncio a multidão deixa a cidade, e o concerto pode então realizar-se. Em 1972, Wein muda o festival para a cidade de Nova Iorque, e os concertos celebram-se em vários locais, como o Yankee Stadium e a Radio City Music Hall. Com uma assistência de mais de 100.000 espectadores que tiveram a oportunidade de assistir ás actuações de Dizzy Gillespie, Duke Ellington, Dave Brubeck, Milt Jackson, Ben Webster, Charlie Byrd, Zoot Sims, Ray Charles, Eddie Condon, Sonny Rollins e Roberta Flack
. O aclamado filme Jazz on a Summer Day documenta o festival de 1958, com as actuações de Dave Brubeck, Ray Charles, Miles Davis, Count Basie e Horace Silver. Outras gravações importantes são Ellington at Newport (1956), Ella Fitzgerald and Billie Holiday at Newport (1958), At Newport - Gigi Gryce-Donald Byrd Jazz Laboratory and the Cecil Taylor Quartet featuring Steve Lacy (1958) ou, At Newport 1960 - Muddy Waters (1960).
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Swing: Stuff Smith
Stuff Smith (Portsmouth, 1909 - Múnich, 1967), O Armstrong do violino.
O grande, grande vulto do violino até ao jazz moderno foi, de forma indubitável, Stuff Smith. Dono de uma sonoridade invulgar neste instrumento, o seu blues e swing era exaltante e foi uma das figura mais autênticas da historia do Jazz. Nasceu no Ohio em !909 e começou a estudar violino com seu pai. Citava Louis Armstrong como sua principal influência e inspiração para tocar jazz, e como Armstrong, queria ser um vocalista bem como instrumentista. Gravou para a Vocalion, em 1936, Decca em 1937 e Varsity em 1939-1940. Smith era crítico do movimento bebop, embora fosse numa transição entre o Swing e o Bebop que o seu próprio estilo se situva. A Stuff Smith é creditado como sendo o primeiro violinista a usar técnicas de amplificação eléctrica num violino. Tocou com Coleman Hawkins, bem como com músicos mais jovens, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, e mais tarde, Sun Ra. A sua contribuição para o sucesso que foi a musica It´s Wonderful, tantas vezes gravada por Armstrong e Ella Fitzgerald ao longo das suas carreiras, é inegável e intransponível. Outro grande sucesso que confirmou a estatura do musico foi I'se A 'Muggin. As gravações de 1956 com Dizzy Gillespie estão tambem entre os desempenhos mais talentosos de sua carreira. Em 1965 mudou-se para Copenhague e realizou várias shows, sendo um dos musicos favoritos na Europa. Morreu em Munich, em 1967 durante exactamente uma turné. Os seus discos foram adquiridos e estudados pelo Museu Nacional de Jazz de Harlem, na pessoa de seu diretor-executivo, Loren Schoenberg, em 2010
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O grande, grande vulto do violino até ao jazz moderno foi, de forma indubitável, Stuff Smith. Dono de uma sonoridade invulgar neste instrumento, o seu blues e swing era exaltante e foi uma das figura mais autênticas da historia do Jazz. Nasceu no Ohio em !909 e começou a estudar violino com seu pai. Citava Louis Armstrong como sua principal influência e inspiração para tocar jazz, e como Armstrong, queria ser um vocalista bem como instrumentista. Gravou para a Vocalion, em 1936, Decca em 1937 e Varsity em 1939-1940. Smith era crítico do movimento bebop, embora fosse numa transição entre o Swing e o Bebop que o seu próprio estilo se situva. A Stuff Smith é creditado como sendo o primeiro violinista a usar técnicas de amplificação eléctrica num violino. Tocou com Coleman Hawkins, bem como com músicos mais jovens, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie, e mais tarde, Sun Ra. A sua contribuição para o sucesso que foi a musica It´s Wonderful, tantas vezes gravada por Armstrong e Ella Fitzgerald ao longo das suas carreiras, é inegável e intransponível. Outro grande sucesso que confirmou a estatura do musico foi I'se A 'Muggin. As gravações de 1956 com Dizzy Gillespie estão tambem entre os desempenhos mais talentosos de sua carreira. Em 1965 mudou-se para Copenhague e realizou várias shows, sendo um dos musicos favoritos na Europa. Morreu em Munich, em 1967 durante exactamente uma turné. Os seus discos foram adquiridos e estudados pelo Museu Nacional de Jazz de Harlem, na pessoa de seu diretor-executivo, Loren Schoenberg, em 2010
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domingo, 8 de janeiro de 2012
Standards do Jazz: SUMMERTIME
Summertime é uma canção de embalar composta por George Gershwin com letra de DuBose Heyward, Dorothy Heyward e Ira Gershwin para a ópera Porgy and Bess, em 1935. Ganhou enorme popularidade desde a sua estreia e foi rapidamente adoptada e adaptada por muitos músicos de jazz. Gershwin começou a compor a música em dezembro de 1933, tentando criar os seus próprios "espirituais", inspirando-se no estilo Afro-Americano de música popular na época. A música é tocada várias vezes ao longo da ópera Porgy and Bess, por Clara no Acto I, como uma canção de embalar enquanto adormece o seu bébe. Depois, é novamente interpretado por Clara como um contraponto à cena do jogo de palmas, no Acto II. E finalmente, no Acto III, interpretado por Bess, cantando para a Clara quando bebé.
. Tornou-se uma das canções com mais versões ao longo do sec. XX, cerca de 25.000, fazendo parte do Great American Songbook.A gravação de Billie Holiday, em Setembro de 1936, foi a primeira a chegar aos tops dos EUA. Outras gravações notáveis são as de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald em 1957, Gene Vincent e Miles Davis em 1958, Sam Cooke, em 1961, Janis Joplin em 1968. A versão de maior sucesso comercial foi a de Billy Stewart, que alcançou a posição 10 na Billboard Hot 100 em 1966. Os The Doors gravaram a canção nos álbuns ao vivo Live at the Matrix, de 1967, e Live in Boston. Outros grandes nomes fizeram gravações notáveis, Al Green, Angélique Kidjo, Bessie Smith, Charlie Parker, Chet Baker, Coleman Hawkins, Eva Cassidy, Sinatra, George Benson ou John Coltrane.
. Tornou-se uma das canções com mais versões ao longo do sec. XX, cerca de 25.000, fazendo parte do Great American Songbook.A gravação de Billie Holiday, em Setembro de 1936, foi a primeira a chegar aos tops dos EUA. Outras gravações notáveis são as de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald em 1957, Gene Vincent e Miles Davis em 1958, Sam Cooke, em 1961, Janis Joplin em 1968. A versão de maior sucesso comercial foi a de Billy Stewart, que alcançou a posição 10 na Billboard Hot 100 em 1966. Os The Doors gravaram a canção nos álbuns ao vivo Live at the Matrix, de 1967, e Live in Boston. Outros grandes nomes fizeram gravações notáveis, Al Green, Angélique Kidjo, Bessie Smith, Charlie Parker, Chet Baker, Coleman Hawkins, Eva Cassidy, Sinatra, George Benson ou John Coltrane.
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
A historia comovente de Lil Harding
Uma das primeiras mulheres no Jazz foi Lillian Harding (1898-1971). Pianista da Orquestra de Fletcher Henderson, foi o primeiro casamento do jovem Louis Armstrong e teve um papel importantissimo na inicio de carreira do trompetista. O casamento não durou muito, mas Lil é protagonista de uma das historias mais trágicas e comoventes do Jazz. Algumas semanas após a morte de Armstrong, num concerto de homenagem ao ex-marido, em Chicago, após tocar o ultimo acorde de St. Louis Blue, um dos clássicos de Armstrong, teve um ataque cardíaco e morreu imediatamente em palco.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Standards do Jazz: BODY AND SOUL
Musica escrita pelo compositor de Hollywood, John Green, para a actriz e cantora londrina Gertrude Lawrence, popularizada por Paul Whiteman & His Orchestra, numa gravação em Outubro de 1930.
Instantaneamente popular, "Body and Soul" foi proibida nas rádios durante quase um ano por causa de suas letras sugestivas, que deixam poucas dúvidas quanto à sua natureza sexual. Apesar de, ou possivelmente por causa de, suas letras picantes, um número impressionante de interpretações foram feitas nos anos 30 e 40. As de Paul Whiteman com Jack Fulton nos vocais, Louis Armstrong, Benny Goodman Trio, Art Tatum e Coleman Hawkins são as mais conhecidas.
Devido ás mudanças incomuns no ritmo que proporcionam um elevado grau de liberdade de improvisação, Body and Soul continua a ser uma das favoritas dos músicos de jazz.
Body and soul foi incluída na trilha sonora de vários filmes: Stormy Weather (1943), Stardust Memories (1980, Django Reinhardt), The Color Purple (1985), Round Midnight (1986, Dexter Gordon), Radio Days (1987, Benny Goodman Trio), Catch Me If You Can (2002), Sex and the City (2002, Billie Holiday) e outros.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Os grandes momentos do jazz (2)
Uma belíssima peça histórica: a alegria de Louis Armstrong interpretando Hello Dolly.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
New Orleans: Louis Armstrong
Louis Armstrong (New Orleans, 4 de agosto de 1901 — Nova Iorque, 6 de julho de 1971), o profeta do jazz.
Louis Armstrong é, sem dúvida, o músico de jazz mais conhecido do público em todo o mundo. A sua figura e a sua voz são inconfundíveis, até para quem não é apreciador de jazz.
Nascido em Storyville, o distrito de New Orleans famoso pelo seu ambiente, digamos, diversificado, que incluía de bordéis até igrejas, passando por espeluncas diversas, Louis Daniel Armstrong passou a infância mergulhado numa grande pobreza. O seu pai abandonou a família asssim que Louis nasceu. Dividindo o seu tempo entre a liberdade das ruas e o trabalho para ajudar a família, o pequeno Louis tornou-se uma criança extremamente esperta e adaptada à vida difícil. Conseguiu comprar uma corneta e, sozinho, começou a aprender a tocá-la. Também cantava com um grupo pelas ruas para ganhar mais uns trocos. Na noite do ano novo de 1912, por brincadeira, atirou para o ar com um revólver, e por isso foi enviado para um reformatório, onde passaria um ano e meio. Curiosamente, foi no reformatório que começou a ter um contato intensivo com a música, tocando bugle e corneta na banda da instituição. Quando foi posto em liberdade começou a tocar onde fosse possível, dentre as inúmeras bandas que pululavam por New Orleans - uma música que, no entanto, ainda não era o jazz.
Armstrong era possuidor de uma extraordinária musicalidade inata, que somada à disciplina técnica que havia adquirido na banda do reformatório, capacitaram-no a tocar num estilo pessoal, incisivo e virtuoso que ultrapassava o estilo reinante em New Orleans naquele tempo. Por volta de 1917, Joe “King” Oliver, percebendo o talento do jovem, tomou Armstrong sob sua proteção, e quando foi para Chicago em 1918, recomendou Armstrong para substituí-lo na banda de Kid Ory. Louis tocou com a banda de Fate Marable entre 1919 e 1921, e em 1922 foi para Chicago para se juntar novamente a Oliver. Em 1924 casou-se com Lillian Hardin, a pianista do conjunto de Oliver (a segunda de suas quatro esposas). Incentivado po Lillian, Louis deixou Oliver e entrou para a orquestra de Fletcher Henderson em Nova Iorque, com quem ficaria pouco mais de um ano.
A estréia de Armstrong como líder deu-se em 12 de novembro de 1925. Nos anos seguintes, Armstrong gravaria muito, com os Hot Five de 1925-1926, os Hot Seven de 1927 e os Hot Five de 1928 - os melhores (com seis integrantes), com Earl Hines ao piano. Toda essa série de gravações é absolutamente antológica, e ocupa um lugar central na história do jazz. Nelas, o gênio de Armstrong revela-se na sua plenitude. Durante esse período, Armstrong trabalha tambem com inúmeras orquestras. É por essa época que troca definitivamente a corneta pelo trompete. A partir de 1929, Armstrong deixa os conjuntos pequenos e passa dezenove anos trabalhando apenas à frente de grandes orquestras, sempre como estrela absoluta. Em 1932 e 1933 faz suas primeiras turnês pela Europa. Em 1938, após o divorcio de Lilian, Louis casa-se com Alpha Smith. Em 1942 casa-se com Lucille Wilson, que seria sua esposa até o fim da vida. Nos anos 40, especialmente com o declínio do swing no pós-guerra, a música de Armstrong começa a ser considerada pelo público como um tanto fora de moda. Em 1948 forma o Louis Armstrong and His All Stars, um sexteto de grandes músicos, nos moldes do seu segundo Hot Five, agora com a participação do ex-clarinetista de Duke Ellington, Barney Bigard, o notável trombonista Jack Teagarden, o baixista Arvel Shaw, o grande baterista Sid Catlett, e o mestre Earl Hines ao piano. Esse conjunto revela-se o contexto ideal para a arte de Armstrong, e com ele faz turnês por todo o mundo. No entanto, com o passar do tempo, ocorreram sucessivas mudanças no pessoal dos All Stars, o padrão musical caiu sensivelmente, e a música tornou-se mais previsível.
Nos anos 50 e 60, Armstrong tornou-se uma celebridade sem paralelo no mundo da música popular, graças não só às suas turnês e gravações, mas também, às suas participações em filmes. Apesar de ter sofrido um ataque cardíaco em 1959, continuou ativo e realizando concertos. Enfrentou algumas críticas por parte dos ativistas negros norte-americanos, pelo fato de não militar mais ativamente no movimento dos direitos civis. Porém é preciso lembrar que, naquela época, Louis já se aproximava dos 60 anos de idade, e pertencia a uma geração diferente daquela que estava assumindo a linha de frente dos protestos e da militância no final dos anos 50 e ao longo dos anos 60. Armstrong trabalhou até os seus últimos dias, e morreu dormindo em sua casa, em Nova Iorque, em 6 de julho de 1971.
Numa avaliação objetiva, no plano musical, toda a fama de Armstrong, de proporções quase mitológicas, é plenamente merecida. Efectivamente foi Satchmo quem redefiniu o jazz, e foi o seu primeiro grande virtuoso. Em primeiro lugar, Armstrong expandiu os limites de seu instrumento, ampliando a extensão do trompete até notas consideradas inacessíveis aos executantes anteriores, de tão agudas. Seu som é límpido e quente, com um vibrato absolutamente regular nos finais de frases, como poucos na história do jazz. Seu fraseado é admiravelmente focalizado e, acima de tudo, inventivo: Armstrong inicia e termina as frases em pontos que nunca são óbvios. Na improvisação possui uma imaginação que parece inesgotável. A influência de Armstrong pode ter sido mais directa ou indirecta, dependendo das épocas e dos estilos em voga, porém nunca desapareceu completamente; está presente em todo o jazz.
Com o passar dos anos, Louis começou a cantar cada vez mais, às vezes até mais do que tocar, e foi principalmente essa imagem que ficou gravada no inconsciente coletivo - a de cantor e entertainer, mais do que trompetista. Alguns críticos consideram a propensão cada vez maior de Armstrong para cantar como um sinal claro de declínio ou acomodação no plano musical. Porém é preciso entender o canto de Armstrong como sendo mais uma faceta do seu enorme talento. Com uma voz singular e sem paralelo na história da música - embora se tenha freqüentemente tentado imitá-la - Armstrong era um grande cantor. O timbre rouco e grave teria sido considerado "esquisito" em qualquer outro contexto, porém para o jazz mostrava ser um instrumento admirável. A entonação aparentemente “preguiçosa” escondia um timing perfeito e um sentido rítmico impecável, que dava a cada frase o recorte perfeito. Uma outra característica única da voz de Armstrong era a maneira pela qual ele mantinha o vibrato mesmo nas consoantes finais das palavras (“ar-r-r-r-r”, “is-z-z-z-z”, etc). Finalmente, deve-se destacar que ele era um cantor intenso e imensamente expressivo, que valorizava cada verso da letra na medida exacta.
E, acima de tudo, Armstrong demonstrou, ao longo de toda a carreira, possuir uma personalidade generosa, em termos tanto humanos como musicais.
Louis Armstrong é, sem dúvida, o músico de jazz mais conhecido do público em todo o mundo. A sua figura e a sua voz são inconfundíveis, até para quem não é apreciador de jazz.
Nascido em Storyville, o distrito de New Orleans famoso pelo seu ambiente, digamos, diversificado, que incluía de bordéis até igrejas, passando por espeluncas diversas, Louis Daniel Armstrong passou a infância mergulhado numa grande pobreza. O seu pai abandonou a família asssim que Louis nasceu. Dividindo o seu tempo entre a liberdade das ruas e o trabalho para ajudar a família, o pequeno Louis tornou-se uma criança extremamente esperta e adaptada à vida difícil. Conseguiu comprar uma corneta e, sozinho, começou a aprender a tocá-la. Também cantava com um grupo pelas ruas para ganhar mais uns trocos. Na noite do ano novo de 1912, por brincadeira, atirou para o ar com um revólver, e por isso foi enviado para um reformatório, onde passaria um ano e meio. Curiosamente, foi no reformatório que começou a ter um contato intensivo com a música, tocando bugle e corneta na banda da instituição. Quando foi posto em liberdade começou a tocar onde fosse possível, dentre as inúmeras bandas que pululavam por New Orleans - uma música que, no entanto, ainda não era o jazz.
Armstrong era possuidor de uma extraordinária musicalidade inata, que somada à disciplina técnica que havia adquirido na banda do reformatório, capacitaram-no a tocar num estilo pessoal, incisivo e virtuoso que ultrapassava o estilo reinante em New Orleans naquele tempo. Por volta de 1917, Joe “King” Oliver, percebendo o talento do jovem, tomou Armstrong sob sua proteção, e quando foi para Chicago em 1918, recomendou Armstrong para substituí-lo na banda de Kid Ory. Louis tocou com a banda de Fate Marable entre 1919 e 1921, e em 1922 foi para Chicago para se juntar novamente a Oliver. Em 1924 casou-se com Lillian Hardin, a pianista do conjunto de Oliver (a segunda de suas quatro esposas). Incentivado po Lillian, Louis deixou Oliver e entrou para a orquestra de Fletcher Henderson em Nova Iorque, com quem ficaria pouco mais de um ano.
A estréia de Armstrong como líder deu-se em 12 de novembro de 1925. Nos anos seguintes, Armstrong gravaria muito, com os Hot Five de 1925-1926, os Hot Seven de 1927 e os Hot Five de 1928 - os melhores (com seis integrantes), com Earl Hines ao piano. Toda essa série de gravações é absolutamente antológica, e ocupa um lugar central na história do jazz. Nelas, o gênio de Armstrong revela-se na sua plenitude. Durante esse período, Armstrong trabalha tambem com inúmeras orquestras. É por essa época que troca definitivamente a corneta pelo trompete. A partir de 1929, Armstrong deixa os conjuntos pequenos e passa dezenove anos trabalhando apenas à frente de grandes orquestras, sempre como estrela absoluta. Em 1932 e 1933 faz suas primeiras turnês pela Europa. Em 1938, após o divorcio de Lilian, Louis casa-se com Alpha Smith. Em 1942 casa-se com Lucille Wilson, que seria sua esposa até o fim da vida. Nos anos 40, especialmente com o declínio do swing no pós-guerra, a música de Armstrong começa a ser considerada pelo público como um tanto fora de moda. Em 1948 forma o Louis Armstrong and His All Stars, um sexteto de grandes músicos, nos moldes do seu segundo Hot Five, agora com a participação do ex-clarinetista de Duke Ellington, Barney Bigard, o notável trombonista Jack Teagarden, o baixista Arvel Shaw, o grande baterista Sid Catlett, e o mestre Earl Hines ao piano. Esse conjunto revela-se o contexto ideal para a arte de Armstrong, e com ele faz turnês por todo o mundo. No entanto, com o passar do tempo, ocorreram sucessivas mudanças no pessoal dos All Stars, o padrão musical caiu sensivelmente, e a música tornou-se mais previsível.
Nos anos 50 e 60, Armstrong tornou-se uma celebridade sem paralelo no mundo da música popular, graças não só às suas turnês e gravações, mas também, às suas participações em filmes. Apesar de ter sofrido um ataque cardíaco em 1959, continuou ativo e realizando concertos. Enfrentou algumas críticas por parte dos ativistas negros norte-americanos, pelo fato de não militar mais ativamente no movimento dos direitos civis. Porém é preciso lembrar que, naquela época, Louis já se aproximava dos 60 anos de idade, e pertencia a uma geração diferente daquela que estava assumindo a linha de frente dos protestos e da militância no final dos anos 50 e ao longo dos anos 60. Armstrong trabalhou até os seus últimos dias, e morreu dormindo em sua casa, em Nova Iorque, em 6 de julho de 1971.
Numa avaliação objetiva, no plano musical, toda a fama de Armstrong, de proporções quase mitológicas, é plenamente merecida. Efectivamente foi Satchmo quem redefiniu o jazz, e foi o seu primeiro grande virtuoso. Em primeiro lugar, Armstrong expandiu os limites de seu instrumento, ampliando a extensão do trompete até notas consideradas inacessíveis aos executantes anteriores, de tão agudas. Seu som é límpido e quente, com um vibrato absolutamente regular nos finais de frases, como poucos na história do jazz. Seu fraseado é admiravelmente focalizado e, acima de tudo, inventivo: Armstrong inicia e termina as frases em pontos que nunca são óbvios. Na improvisação possui uma imaginação que parece inesgotável. A influência de Armstrong pode ter sido mais directa ou indirecta, dependendo das épocas e dos estilos em voga, porém nunca desapareceu completamente; está presente em todo o jazz.
Com o passar dos anos, Louis começou a cantar cada vez mais, às vezes até mais do que tocar, e foi principalmente essa imagem que ficou gravada no inconsciente coletivo - a de cantor e entertainer, mais do que trompetista. Alguns críticos consideram a propensão cada vez maior de Armstrong para cantar como um sinal claro de declínio ou acomodação no plano musical. Porém é preciso entender o canto de Armstrong como sendo mais uma faceta do seu enorme talento. Com uma voz singular e sem paralelo na história da música - embora se tenha freqüentemente tentado imitá-la - Armstrong era um grande cantor. O timbre rouco e grave teria sido considerado "esquisito" em qualquer outro contexto, porém para o jazz mostrava ser um instrumento admirável. A entonação aparentemente “preguiçosa” escondia um timing perfeito e um sentido rítmico impecável, que dava a cada frase o recorte perfeito. Uma outra característica única da voz de Armstrong era a maneira pela qual ele mantinha o vibrato mesmo nas consoantes finais das palavras (“ar-r-r-r-r”, “is-z-z-z-z”, etc). Finalmente, deve-se destacar que ele era um cantor intenso e imensamente expressivo, que valorizava cada verso da letra na medida exacta.
E, acima de tudo, Armstrong demonstrou, ao longo de toda a carreira, possuir uma personalidade generosa, em termos tanto humanos como musicais.
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