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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Lady Day X 4

Quatro grandes momentos da eterna Billie Holiday. Para ouvir com muito carinho.

 Toda a dor angustiante nos olhos de Lady Day. No Olympia de Paris...

...uma das suas melhores interpretações, com Jimmy Rowles no piano...

... com o grande Louis Armstrong. A fina flor do Jazz...

... toda a beleza e elegância de Billie a cantar Gershwin, It's going to be like dying, Porgy!
 Eternamente.
 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: LOVER MAN (OH WHERE CAN YOU BE?)

James Edward Davis, Ram Ramirez e Jimmy Sherman dividem entre os três os créditos da composição, musica e letra, de Lover Man. Musica escrita originalmente em 1942, para ser cantada pela diva Billie Holiday, mas esta só a iria gravar em 1944, devido a uma disputa entre os musicos que a compuseram e as gravadoras, por falta de pagamento de royalties no estudio. Holiday só consentiu tambem em gravar a "Lover Man" com um ensemble de cordas, o que lhe viria a ser concedido. Gravou então a canção em 4 de outubro de 1944, com Toots Camerata and his Orchestra, para a Decca. A Tin Pan Alley Song Encyclopedia, sugere que "Lover Man" "... é um tema musicalmente muito simples, mas consegue parecer complexo e texturizado por causa da harmonia rica." “Lover Man” tem sido chamada a mais blue das baladas, com a sua melodia acentuada nos graves e a letra melancólica, era a canção adequada para a voz de Billie que na altura atravessava uma fase, na sua carreira, de tristeza e desânimo. Embora Billie Holiday seja o artista de jazz mais intimamente associada com esta canção - a gravação de 1944 é um dos momentos decisivos na sua carreira - Sarah Vaughan , por sua vez, também desenvolveu uma relação profunda com "Lover Man", começando com uma gravação em 1945 ao lado de Dizzy Gillespie e Charlie Parker, e que é um clássico do bebop. A propria versão de Parker em Complete Dial Sessions Master Takes, é tambem um momento marcante da carreira de Bird, ainda que algo estranha devido á emocionalidade do desempenho. O pianista Ray Bryant tem a versão mais blues da musica, enquanto que a grande Ella Fitzgerald lhe deu deu elegãncia sem lhe retirar o seu desespero honesto. Outras gravações também muito bem conseguidas são as de Sonny Rollins em "Sonny Meets Hawks", a versão algo funk de Jimmy Smith no seu órgão Hammond em "House Party" com Art Blackey na bateria, ou a de Bennie Carter no álbum "A Gentleman and His Music, muito bem servido por Scott Hamilton, Gene Harris, John Clayton entre outros.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O expoente máximo do Jazz vocal feminino.

BESSIE SMITH
A Imperatriz do Jazz, poeticamente e sem poupar exaltantes adjectivos, é a aurora mais luminosa da musica negro-americana: voz de timbre profundo, quase abstracto, é a imaginação de melodias evocativas de todo o passado negro-americano. É inseparável de todo um sentido sombrio e trágico. Bessie Smith canta um povo como Homero canta a Greçia, como Dante canta o Renascimento, ou como Camões canta o povo Lusitano. Está para a musica americana como James Joyce está para a literatura do seculo XX. Voz imortal, o grito lírico dos escravos.

ELLA FITZGERALD
Ella é conhecida como "A Primeira Dama da Canção". É quase unânime entre amantes do jazz considerá-la como a melhor cantora de todos os tempos (embora muita gente possa votar em Billie ou Sarah). A intensa delicadeza da eternidade feminina, fresca, insinuante, sensível. Possuía uma técnica nobre e madura com influências bop e uma dicção perfeita, pode-se sempre perceber cada palavra que canta, e ninguem jamais a superou na técnica do "scat". As suas gravações com a orquestra de Chick Webb são de superior qualidade, mas é a cantar Gershwin com Ellis Larkins ao piano que se nota o seu estilo definitivamente dominador e avançado.
 

  BILLIE HOLIDAY
Lady Day era uma figura imponente do "blues". É a cantora mundana, maldita e que personifica a erotização do Jazz. A sua sexualidade exaltada e a sua beleza misteriosa surgiram no mundo do jazz como uma bomba. A musica incarnava toda a vida marginal e violenta que levava: a droga, a prostituição, a imoralidade e devassidão, que o sistema capitalista americano perseguiu, sem tréguas e de uma forma abominável. Billie Holiday é a primeira grande artista underground americana, estrela da beat-generation e todos os movimentos antitotalitaristas do mundo. A sua voz maravilhosa nunca deverá ser separada de um contexto duro, pouco apaziguador, revolucionário, mas que no entanto soa sempre, e eternamente, contagiante.

 SARAH VAUGHAN
"The Sassy One". Possuidora de uma das vozes mais maravilhosas do seculo 20, fica por vezes a impressão quando se ouvem as suas canções, que poderia fazer tudo o que quisesse com a sua voz: é impressionante a sua técnica, o vibrato perfeitamente controlado, e a sua grande capacidade expressiva. Sarah Vaughan foi uma das primeiras cantoras a incorporar o fraseado bop no seu canto e a pô-lo a um nível só ao alcance de ser acompanhado por artistas da craveira de Charlie Parker ou Dizzie Gillespie. Conseguia swingar quase todos os instrumentos e a sua grande capacidade para fazer scat só era superada por Ella Fitgerald. O legado de Sarah Vaughan como artista será muito dificil de igualar no futuro.
 

domingo, 8 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: SUMMERTIME

Summertime é uma canção de embalar composta por George Gershwin com letra de DuBose Heyward, Dorothy Heyward e Ira Gershwin para a ópera Porgy and Bess, em 1935. Ganhou enorme popularidade desde a sua estreia e foi rapidamente adoptada e adaptada por muitos músicos de jazz. Gershwin começou a compor a música em dezembro de 1933, tentando criar os seus próprios "espirituais", inspirando-se no estilo Afro-Americano de música popular na época. A música é tocada várias vezes ao longo da ópera Porgy and Bess, por Clara no Acto I, como uma canção de embalar enquanto adormece o seu bébe. Depois, é novamente interpretado por Clara como um contraponto à cena do jogo de palmas, no Acto II. E finalmente, no Acto III, interpretado por Bess, cantando para a Clara quando bebé.
. Tornou-se uma das canções com mais versões ao longo do sec. XX, cerca de 25.000, fazendo parte do Great American Songbook.A gravação de Billie Holiday, em Setembro de 1936, foi a primeira a chegar aos tops dos EUA. Outras gravações notáveis ​​são as de Louis Armstrong e Ella Fitzgerald em 1957, Gene Vincent e Miles Davis em 1958, Sam Cooke, em 1961, Janis Joplin em 1968. A versão de maior sucesso comercial foi a de Billy Stewart, que alcançou a posição 10 na Billboard Hot 100 em 1966. Os The Doors gravaram a canção nos álbuns ao vivo Live at the Matrix, de 1967, e Live in Boston. Outros grandes nomes fizeram gravações notáveis, Al Green, Angélique Kidjo, Bessie Smith, Charlie Parker, Chet Baker, Coleman Hawkins, Eva Cassidy, Sinatra, George Benson ou John Coltrane.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Standards do Jazz: BODY AND SOUL

Musica escrita pelo compositor de Hollywood, John Green, para a actriz e cantora londrina Gertrude Lawrence, popularizada por Paul Whiteman & His Orchestra, numa gravação em Outubro de 1930. Instantaneamente popular, "Body and Soul" foi proibida nas rádios durante quase um ano por causa de suas letras sugestivas, que deixam poucas dúvidas quanto à sua natureza sexual. Apesar de, ou possivelmente por causa de, suas letras picantes, um número impressionante de interpretações foram feitas nos anos 30 e 40. As de Paul Whiteman com Jack Fulton nos vocais, Louis Armstrong, Benny Goodman Trio, Art Tatum e Coleman Hawkins são as mais conhecidas. Devido ás mudanças incomuns no ritmo que proporcionam um elevado grau de liberdade de improvisação, Body and Soul continua a ser uma das favoritas dos músicos de jazz. Body and soul foi incluída na trilha sonora de vários filmes: Stormy Weather (1943), Stardust Memories (1980, Django Reinhardt), The Color Purple (1985), Round Midnight (1986, Dexter Gordon), Radio Days (1987, Benny Goodman Trio), Catch Me If You Can (2002), Sex and the City (2002, Billie Holiday) e outros.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retratos

Billie Holiday, a diva. Talvez a imagem mais conhecida de um cantor de Jazz. A angustia da voz.