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sábado, 28 de janeiro de 2012

Duetos de antologia: Charlie Haden e Pat Metheny

A simbiose existente entre o contrabaixista, Charlie Haden, e o guitarrista Pat Metheny, está bem expressa neste clássico de Henry Mancini, para o filme do mesmo nome, de Stanley Donen. A sobriedade e concentração dos dois músicos demonstra a sua ímpar genialidade. Momento antológico.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Precisa o Jazz de ser uma musica popular?

O Jazz nunca foi musica destinada ao consumo em massa no seu todo. O mais próximo que o jazz alguma vez teve de ser essa "música popular", foi nos dias das big bands. E até mesmo essa popularidade foi alcançada principalmente devido ao swing dançante que a maioria das grandes bandas usava. Será muito difícil à grande maioria das pessoas "pegar" num estilo musical, quando realmente essa musica está sendo sendo tocada por uma questão de expressão individual, ou por falta de paciência ou por sofisticação para realmente poder escutá-la. Mas hoje nota-se que o jazz procura uma aproximação a sons mais acessiveis ao grande publico, muito através da promoção do género "smooth -jazz". E aí chega-se à grande questão: para quê? Numa época em que não adianta a forma da arte só a forma como ela vende, sentirá o jazz essa necessidade de comercialização em moldes populares? Notar-se-à aqui uma rendição do espírito free do jazz? Quando o Jazz surgiu era visto como um híbrido, um composto entre o ragtime e os blues, esse novo género - a que se resolveu chamar Jazz - foi a musica mais popular do seu tempo. E hoje ainda tem essa singularidade, à medida que evolui e se torna mais sofisticado e refinado em sua apelação, continua a transcender a forma de arte mais "Pop" e a tornar-se de um gosto mais eclético. Pessoalmente congratulo-me com esta transição. Agora forçando a popularização do género conseguir-se-á apenas a diluição da forma de arte. E nessa altura, quando o jazz se tornar "popular" de novo, então provavelmente vai sendo tempo de olhar para outra forma de arte musical e poder desfrutar.
 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

As sonoridades únicas de Bill Frisell

Frisell descobriu o jazz na música de Wes Montgomery, e foi colega de escola de Pat Metheny, na Berklee School of Music. Jim Hall foi também uma influência importante, principalmente em termos de melodia. Em meados dos anos 70, Frisell começou a afastar-se do puro bebop e começou a fundir outros interesses musicais. Foi por volta desta época que começou a desenvolver o seu som atmosférico, quase mictrotonal. Frisell descobriu que, usando uma guitarra com um pescoço flexível, podia manipular a entonação do instrumento. Uma combinação de técnicas experimentais e processadores de sinal, como delay e reverb, deu a Frisell um som diferente de qualquer outro guitarrista. Um som sofisticado mas acessível que lhe valeu ser requisitado por inúmeras vezes para gravar com Jan Garbarek ou Paul Motian, ou com os músicos de jazz experimental, John Zorn e Tim Berne. Embora Frisell seja mais conhecido pela sua técnica de guitarra, o seu dedilhado que lhe proporciona um som "ambient", e o seu jazz harmonicamente fluente, a sua estética transcende as fronteiras de qualquer estilo determinado. Mas talvez seja a sua liberalidade musical - a sua música inclui características de rock, country, bluegrass e variados estilos - que lhe proporciona aquela paleta de sons que vai além dos guitarristas do jazz típico. Bill Frisell é um dos músicos mais singulares da sua geração. Para além das ínumeras contribuições com outros artistas, como Jan Garbarek (Paths, Prints de 1981), ou o baterista Paul Motian (Psalm (1982), ou Vinicius Cantuária (Lágrimas Mexicanas em 2010), é de ouvir com deleite o recente "All We Are Saying, Frisell Plays Lennon", uma revisitação dos clássicos de John Lennon, com o guitarrista Greg Leisz, Jenny Scheinman no violino, Tony Scherr no baixo e a bateria de Kenny Wollesen.