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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CHRISTIAN McBRIDE – CONVERSATIONS WITH CHRISTIAN

“Conversations With Christian”, é apenas Christian McBride e o seu baixo, usado para com uma diversidade fascinante de artistas, incluindo Angelique Kidjo, Regina Carter, Sting, Eddie Palmieri, Roy Hargrove, Dee Dee Bridgewater, George Duke, Chick Corea, Russell Malone, Ron Blake e a atriz Gina Gershon. Todos eles conseguem manter um nível de concentração e de inspiração notáveis. A ouvir com especial atenção a reaproximação entre o jazz clássico e o blues que McBride e Regina Carter conseguem fazer em “Fat Bach And Greens”.
O dueto entre McBride e Roy Hargrove em "Baubles, Bangles And Beads" é maravilhosamente divertido. No final da música, nota-se a satisfação que deve ter sido para ambos os músicos, McBride diz : “Eu não imagino que precisamos mais do que isto” para a gargalhada de Hargrove ao fundo.
 “It’s Your Thing” é um dueto exorbitante entre Dee Dee Bridgewater e McBride.

E depois este é um trabalho que nos toca e deixa uma sensação de nostalgia, especialmente nos duetos de McBride com dois grandes mestres do Jazz, que faleceram antes do álbum ser lançado. Em “Spiritual”, tocado com o falecido Billy Taylor, McBride com a sua técnica de uso do arco provoca arrepios e suspiros, enquanto o toque de piano de Taylor é magnifico, elegante e fino como ele próprio. O mesmo serve para o magnifico Hank Jones, numa perfeita interpretação de “Alone Together”, passeio descontraído pelos caminhos do Jazz.


“Conversations With Christian” demonstra que McBride está no seu melhor momento - ouvindo, rindo, criando e pesquisando em profundidade, contando com o talento inesgotável dos seus amigos.
 Faixas: Afirika; Fat Bach And Greens; Consider Me Gone; Guajeo Y Tumbao; Baubles, Bangles And Beads; Spiritual; It's Your Thing; Alone Together; McDukey Blues; Tango Improvisation #1; Sister Rosa; Shake 'N Blake; Chitlins And Gefiltefish.

Músicos: Christian McBride: baixo; Angelique Kidjo: vocal; Regina Carter: violino; Sting: vocal, guitarra; Eddie Palmieri: piano; Roy Hargrove: trompete; Dr. Billy Taylor: piano; Dee Dee Bridgewater: vocal; Hank Jones: piano; George Duke: piano; Chick Corea: piano; Russell Malone: guitarra; Ron Blake: saxofone tenor; Gina Gershon: vocal.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

As herdeiras da tradição vocal, Parte 1

Cantar Jazz é uma combinação única de todos os géneros musicais: desde o R&B aos blues, da soul ao rock, ou do rap ao hip hop. O que por si só acarreta a responsabilidade de não ser uma descrição fácil.
Ao longo da historia jazzistica, um punhado de cantores, nomeadamente Louis Armstrong, Billie Holiday, Sarah Vaughan, Billy Eckstine, Joe Williams, Ella Fitzgerald e Carmen McRae, elevaram o jazz cantado ao pico mais elevado das artes musicais.
Após esse naipe veio uma série de sólidas cantoras de jazz que continuaram essa tradição, nomeadamente a scatmaster Betty Carter, a suave Shirley Horn e a sempre inovadora Abbey Lincoln. Esta geração ia carregando a tocha do jazz, mas o seu desaparecimento, trouxe novas preocupações acerca da defesa do grande legado do jazz no periodo pós- Vaughan e pós-Fitzgerald.
Eis cinco das grandes cantoras que entre o publico e a crítica, dividem opiniões acerca de quem entre si merece o epíteto de Primeira Dama da Canção, título que esteve entregue a Ella Ftzgerald durante os longos e saudosos anos que esteve entre nós. Dee Dee Bridgewater, Rachelle Ferrell, Dianne Reeves, NNENNA Freelon e Cassandra Wilson.
As opiniões divergem sobre os méritos relativos dessas cantoras. Embora alguns puristas afirmem que Wilson, não é uma cantora jazz, no sentido mais restrito do termo, a verdade é que os fãs acreditam que é ela que enverga o manto de Primeira Dama do jazz.



A carreira de Dee Dee Bridgewater tem uma certa dualidade. Uma cantora das grandes tradições do jazz e uma actriz, uma estrela na Europa, e invisível em casa, mas que floresceu no seu exílio artístico. Voltou mais tarde aos Estados Unidos para lhe ser reconhecido o devido talento. Tem sido chamada de a grande cantora jazz da sua geração. Em 1995 lançou o CD, Love and Peace: A Tribute to Horace Silver, que lhe valeu a terceira nomeação para os Grammy. Live in Paris e Keeping Tradition, foram as outras gravações que também lhe valeram respectivas nomeações. Grammy que venceria por duas vezes , ambas no mesmo ano, com o álbum Dear Ella. É também uma actriz talentosa, que tem seguido uma carreira paralela em musicais, que começou com The Wiz, em 1974, em que recebeu o Tony Award para Melhor Atriz Secundária. Bridgewater foi também a primeira atriz negra a assumir o papel de Sally Bowles em Cabaret, que foi levado à cena no Theatre Mogadoro, em Paris.




A compositora, letrista, arranjadora e vocalista, Rachelle Ferrell, leva todos os seus dons e o seu alcance de voz de 6 oitavas para um concerto. É uma raridade no mundo da música, com contratos de gravação em editoras de jazz e de pop/R&B. Foi premiada com um prêmio Pollstar para a melhor nova artista contemporânea de jazz em 1994. A consistência de Ferrell enche as maiores salas de concerto, e o seu sucesso foi predito por, nada mais nada menos, que Dizzy Gillespie, que disse a seus pais, "Rachelle será uma das maiores forças da industria do jazz". O seu primeiro Cd para a Blue Note, Instrument, esteve no Jazz Top da Billboard em 1995: "Escolhi este título para lembrar ás pessoas que a voz era, e é o primeiro instrumento...Eu quero trazer de volta o valor intrínseco da voz.", diz ela.




A cantora/compositora NNENNA FREELON é uma talentosa artista e educadora que já é amplamente respeitada nos meandros do jazz. Vencedora de um Billie Holiday Award da prestigiosa Academic Du Jazz, pelo seu Shaking Free, e que também lhe valeu uma das cinco nomeações para os Grammy. Freelon abriu para Ray Charles e Al Jarreau, entre outros. Maya Angelou, diz que Freelon lembra uma "jovem Sarah ou Ella ou Dinah. A beleza duradoura de sua voz faz o ouvinte recordar-se de ter ouvido tão transparente talento, 35 e 40 e até 50 anos atrás".





Dianne Reeves reuniu três gerações de artistas no seu álbum de 1996, para a Blue Note, The Grand Encounter. Nesse álbum, Reeves mergulhou profundamente nas raízes jazz, e escolheu os seus standards favoritos para gravar com seus artistas favoritos. O veterano vocalista Joe Williams junta-se a Reeves na balada, "Tenderly", e o esforço produziu "pura magia", segundo Reeves. Williams não foi de menos cortesia: "Dianne Reeves é a extensão legítima de Ella, Sarah, Carmen e de todos que possam pertencer a esse grande agrupamento,", diz ele. Dianne Reeves dedicou The Grand Encounter, à falecida Ella Fitzgerald. Em 1987, Reeves actua no "Echoes of Ellington", concerto em Los Angeles, que lhe valeu a sua primeira indicação para um Grammy. Nomeação que repetiria em 1995 com o CD, Quiet After the Storm. Grammy que venceria por quatro vezes com os álbuns: In the Moment - Live In Concert (2001), The Calling: Celebrating Sarah Vaughan (2002), A Little Moonlight (2003) e Good Night, and Good Luck (2006).




Cassandra Wilson transcende qualquer categoria e desafia as convenções: "Eu não me defino, eu faço o que faço", disse ela. E se a aclamação do publico é um barómetro então o que ela faz, fá-lo muito bem. Com quase duas dezenas de álbuns a solo por trás dela, os críticos coroaram-na como uma das grandes vocalistas de jazz da sua geração. Embora não se defina apenas como uma cantora de jazz, Wilson reconhece a influência que o jazz tem desempenhado na sua carreira: "Naturalmente, a sensibilidade do jazz está lá. É a minha fundação. O meu pai era um músico de jazz e foi essa a primeira música a que eu estava exposta. Entretanto, eu escuto todos os tipos de música, R & B, folk, blues, tudo." A sua versão assombrosa de "Strange Fruit" de Billie Holiday, transporta um ouvinte para a era pré-Direitos Civis, quando as árvores do sul floresciam com os corpos dos negros linchados. Cassandra conta que a música foi particularmente difícil para ela cantar: "Mas as emoções são reais, as emoções trabalham na memória dos sentidos, as emoções trabalham em você espiritualmente.". Cassandra venceu dois Grammys, em 1996 o prémio para Melhor Performance Vocal de Jazz por "New Moon Daughter", e Melhor álbum Vocal de Jazz por Loverly em 2009.