sábado, 17 de março de 2012

História: o Village Vanguard.

É talvez, o espaço de Jazz mais famoso de New York. A pequena sala com tecto baixo e acústica notável, foi palco de mais de 100 gravações ao vivo, muitas das quais são obras essenciais da história do jazz.
O Village Vanguard, aberto desde 1935, é o mais antigo clube de jazz em operação contínua no mundo.

Quando o fundador Max Gordon lançou o clube Greenwich Village, tinha como supremo objectivo fornecer um palco para músicos populares, poetas, actores e comediantes, bem como músicos de jazz. Desde a sua criação, o Vanguard atraiu sempre audiências bem informadas e com espírito aberto a novas tendências. Gordon deu, por exemplo, ao cantor Harry Belafonte sua primeira grande oportunidade, e Belafonte lembra hoje, tanto um grupo eclético de artistas a actuar, como o apoio do dono do clube. O Vanguard foi também um dos primeiros palcos que Woody Allen pisou como comediante. O clube e as audiências que atraiu reflectem a sensibilidade de Gordon.

 Em meados dos anos 50, Max Gordon estreitou o âmbito do clube apenas a jazz, e logo ficou conhecido pelo seu feroz compromisso com esse género musical. Uma série de álbuns clássicos gravados no local, certamente que ajudaram a reforçar o perfil público do local. Em 1957, foi feita a primeira gravação no Vanguard: Sonny Rollins gravou " A Night at the Village Vanguard", que desde então tem sido amplamente reconhecido como um dos melhores álbuns ao vivo de jazz. O saxofonista Joshua Redman chama-o de referência para improvisadores e artistas.

 Lorraine Gordon, que tomou conta dos destinos do clube, quando o seu marido faleceu, em 1989, diz que parte da magia é porque a sala é "comum, de uma certa maneira". A sala tem um limite máximo de apenas 132 pessoas, e essa intimidade cria uma proximidade entre artista e plateia. O pianista McCoy Tyner, que gravou no Vanguard com John Coltrane em 1961, diz que, no clube, "você pode ouvir tudo." As propriedades acústicas do Vanguard diferenciam-no de outros clubes, mesmo que nenhuma explicação técnica o consiga explicar na totalidade. Não importa onde se esteja sentado na sala - na primeira fila, no bar na parte de trás ou nas laterais - o som é igualmente maravilhoso. Segundo Redman, não há outro lugar no mundo que pareça tão bom para tocar jazz.

 Ao longo da sua vida, Max Gordon tornou-se um amigo muito respeitado para grande nomes, entre eles Miles Davis, Dexter Gordon, Elvin Jones, Charles Mingus e Bill Evans, o pianista que fez mais gravações no Vanguard do que qualquer outro músico. O clube foi apenas fechado por uma noite, quando Max Gordon morreu em 11 de maio de 1989, mas Lorraine Gordon abriu na noite seguinte e passou a comandar o clube desde então. Com mais de 80 anos, a "Rainha Mãe de Jazz" ainda trabalha seis dias por semana. Inicialmente, Lorraine era uma fã de jazz e patrono regular da Vanguard. Anos mais tarde, ela e Max desenvolveram uma amizade, enraizada no seu amor pela música, que levou ao casamento em 1948. Embora fosse muito bem informada sobre jazz, Lorena só começou a trabalhar no clube, nos ultimos anos de vida de Max. Lorraine Gordon desenvolveu fortes relacionamentos com músicos veteranos como os pianistas Chucho Valdés e o falecido Tommy Flanagan, que tocavam no clube com freqüência. Como o marido fez, Loraine defendeu os músicos mais jovens, como o trio The Bad Plus e o pianista Brad Mehldau. Como a maioria dos músicos que trabalham com ela atestam, também desenvolveu uma reputação de dura, uma característica necessária quando o telefone não pára de tocar no seu escritório, que serve igualmente como sala de vestir dos músicos. No prefácio ao livro de Max Gordon de 1980 sobre o Village Vanguard, o crítico Nat Hentoff supôs que o clube tinha sobrevivido tanto tempo por causa da paixão de ambos, os artistas e os seus proprietários. Hentoff agora diz que Lorraine Gordon "merece todo o crédito" por manter a paixão e manter o Vanguard vibrante, no século 21.

Link para o website do Village Vanguard:
http://villagevanguard.com/

terça-feira, 13 de março de 2012

Tito Puente: El Rey

Um dinâmico percussionista, um maestro veterano, um orquestrador magistral, um showman irrepreensivel, tudo isto serve para descrever Tito Puente Sr., que será sempre lembrado como El Rey - the King of Latin Music. Em mais de 50 anos de fusão do jazz americano com os ritmos afro-cubanos, Puente foi peça central na popularidade da musica Latina nos EUA. Puente nasceu e cresceu em "El Barrio" de East Harlem, um bairro de Manhattan contínuamente dominado pelos ritmos da sua população porto-riquenho e cubana. Embora influenciado pela cultura que o cercava, as suas aspirações de musicais na infância, eram tambem influenciadas pelo swing das big band de Count Basie e Tommy Dorsey, que ouvia no rádio.
Começou por estudar piano, mas foi rapidamente atraído pela percussão, para desgosto de seus vizinhos. Assim como Puente tentava integrar os ritmos afro-cubanos com a musica popular da época, as big bands dos anos 40 mostravam-se cada vez mais acessiveis ao "tom espanhol", incorporando congas, bongos e timbalões nos seus ensembles. Felizmente para Puente, cresceu entre os membros da Machito´s Orchestra, a primeira banda a fundir o jazz com os ritmos afro-cubanos. Quando o baterista da Machito Orchestra foi incorporado no exército durante a segunda guerra mundial, Tito Puente teve a sua oportunidade de se tornar o percussionista da banda. Durante os dois anos que passou pela Machito, Puente desenvolveu o seu estilo característico, convencendo o bandleader a levar as percussões para a frente da orquestra de modo a poder tocar e dançar ao mesmo tempo. Depois de servir na marinha dos Estados Unidos, frequentou a The Julliard School. Por essa altura o Mambo e o Cha-Cha-Cha varriam os clubes de dança de New York, isto era particularmente acentuado no Palladium Ballroom, onde as bandas de Tito Puente eram com frequência cabeça de cartaz. O Palladium situava-se próximo de clubes de jazz importantes como o Birdland, e era frequente ver os musicos de jazz passarem para admirar os ritmos novos então na voga, promovendo o debate e a troca de ideias entre os profissionais do bebop e músicos latinos como Puente. Com os seus primeiros sucessos como "Ran Kan Kan" e "Para Los Rumberos", Tito muitas vezes levou o Palladium a um frenesim sem igual. Mas, o início dos anos 50, demonstraram que Tito era mais do que apenas um artista dinâmico. Sua série inovadora de álbuns só de percussão demonstraram as suas capacidades profundas como arranjador e o seu talento como músico revolucionário. 
Ao longo de toda a sua vida, Puente continuou a expandir as fronteiras da música afro-caribenha com uma discografia enorme e diversificada, e tocou sempre com um entusiasmo e um vigor incomparável.
 Faleceu em 2000 devido a complicações cardíacas. Tinha 77 anos.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Wynton Marsalis: a controvérsia no jazz.

O mais famoso músico de jazz desde 1980, Wynton Marsalis tem tido um grande impacto desde que começou a sua carreira. No início dos anos 80, era notícia importante quando um jovem e muito talentoso músico negro escolhesse, para ganhar a vida, tocar jazz acústico, em vez de fusão, funk, ou R&B. A chegada de Marsalis na cena musical começou com o movimento "Young Lions" e resultou que as grandes gravadoras (a maioria das quais não tinha mostrado qualquer interesse pelo jazz na década anterior), de repente, começassem a assinar e a promover novos músicos. Havia uma grande escassez de novos trompetistas desde 1970, e o aparecimento de Marsalis inspirou toda uma safra de novos tocadores de sopros.
Durante a sua carreira, Marsalis conseguiu ser uma figura controversa apesar de todas as suas óbvias habilidades. Seu conhecimento selectivo da história do jazz (considerando o avant garde pós-1965, um estilo fora do género e o fusion da década de 70, estéril), é, infelizmente, influenciado pelas crenças algo exóticas de Stanley Crouch, e devido ás suas politicas como director musical do Lincoln Center Jazz Orchestra, levou a acusações exageradas de elitismo e racismo pelos jornalistas locais da especialidade.
No entanto, Wynton Marsalis tem equilibrado todas essas críticas com o trabalho inspirador que tem feito com jovens músicos, muitos dos quais introduziu na cena jazzistica, como Roy Hargrove.
Quando chegou ao conhecimento do publico com os Jazz Messengers, Marsalis era originalmente inspirado por Freddie Hubard. No entanto, à medida que foi criando e liderando os seus próprios grupos, o som de Marsalis aparece cada vez mais perto do estilo de Miles Davis, da técnica virtuosa de Miles Davis. Foi tão elogiado pela imprensa desse tempo (que chegou a dizer que o futuro do jazz estava encontrado), que eram inevitáveis os efeitos colaterais.
Declarações, por vezes imprecisas, sobre o jazz da década de 70 e o avant garde em geral, fizeram despoletar inimizades entre os observadores, e o seu som bastante derivado de Davis, na altura, fizeram com que o seu nome aparecesse com um asterisco, aquando da avaliação do seu talento. Alguns ouvintes tiraram impressões de Marsalis como imitador de Davis, mas não levaram em conta que ele estava melhorando e desenvolvendo. Com álbum de 1990, Tune in Tomorrow, Marsalis soou finalmente a ele próprio. Encontrou a sua própria voz, explorando estilos antigos de jazz (tocando mais próximo de Louis Armstrong), dominando o wah-wah mudo e estudando Duke Ellington. Desse momento em diante, mesmo quando toca standards de Miles davis, Marsalis tem o seu próprio som, e finalmente tomou o seu lugar como um dos grandes nomes do jazz.

É hoje considerado um dos maiores virtuosos do trompete de todos os tempos, e o seu profundo respeito e divulgação das tradições musicais valeram-lhe o estatuto de "embaixador da musica americana".

domingo, 11 de março de 2012

BIRD, o grande filme do Jazz.

O grande filme sobre o famoso saxofonista Charles "Bird" Parker, um dos mais famosos jazzman na historia do jazz. As suas inovações e a sua vida deixaram um legado tão profundo que ainda hoje os jovens tentam redescobrir a sua arte.
Grande apaixonado por jazz, o realizador e produtor Clint Eastwood fez uma apaixonante homenagem ao genial criador do Bebop. Clint pesquisou e recheou a magnífica trilha sonora do filme com os solos dos discos originais de Parker, mostrando um génio incansável que viveu intensamente durante os seus 35 anos (de 1920 a 1955), trabalho que acabou por lhe render o Globo de Ouro de Melhor Realizador por esta excitante história de inovação e sofrimento. Nas mãos de Eastwood, Bird vive formidavelmente. O filme começa focando o jovem e o seu amor pelo jazz. Mostra Parker iniciando a sua carreira e a dificuldade que encontrava para levar a sua música para além da fronteira dos bares de músicos negros.
Forest Whitaker no papel de Charlie "Bird" Parker, deixa claro o apaixonante fascinio que o genial intérprete tinha pela musica.A atriz Diane Verona trabalha de forma magistral como sua esposa, Chan "Parker" Richardson, o que lhe valeu o prémio de Melhor Atriz Secundária da Associação de Críticos de Nova York.
A trilha sonora conta ainda com músicos do quilate de Monty Alexander, Barry Harris e Walter Davis Junior (piano), Ray Brown, Chuck Berghofer e Ron Carter (contrabaixo), John Guerin (bateria), Charles McPherson (sax alto); Jon Fadis e Red Rodney (trompete) e Charlie Shoemake (vibrafone). O filme tem argumento de Joel Oliansky e foi produzido por Clint Eastwood e David Valdes.
Para os amantes do jazz este é um filme obrigatório, por tudo o que representa para o género, e para quem  gosta apenas de cinema nunca poderá ficar indiferente à prestação dos actores e ao talento de realizador de Clint Eastwood.

3 marcos do jazz vocal.

FRANK SINATRA: SONGS FOR SWINGING LOVERS
Em meados dos anos 50, Frank Sinatra estava de volta ao auge não apenas de seu talento, mas dos tops musicais, desmentindo a máxima de F. Scott Fitzgerald: “Não existe uma segunda chance para os americanos.” 
No final de 1955, novamente com o produtor Nelson Riddle, Sinatra planejou um disco com um sabor diferente. O que surgiu dessas sessões, realizadas um mês depois de o cantor completar 40 anos, foi o oposto do trabalho anterior. Comparado com The Wee Small Hours e seu clima de bêbado-num-bar-às-duas-da-manhã, o eufórico Songs For Swingin’ Lovers! parece um passeio numa tarde ensolarada de domingo, literalmente transbordando de joie de vivre.
Sinatra está à vontade como nunca, ágil em “You Make Me Feel So Young”, cantando “How About You?” como se estivesse pedindo alguém em casamento ou piscando o olho, num jeito maroto, em “Makin’ Whoopee”.
Mas nada disso teria valor sem a gloriosa orquestração de Riddle. Reza a lenda que o seu insuperável arranjo para “I’ve Got You Under My Skin”, terminado às pressas na noite anterior à gravação, foi espontaneamente aplaudido pelos músicos durante a sessão, em 12 de janeiro de 1956.

 Este álbum talvez esteja perto de ser o grande songbook americano. No entanto, os estudiosos mais atentos da música pop podem reparar que há uma simetria nas 15 faixas que compõem os 45 minutos do disco. A arte de fazer canções de três minutos começa e termina nesta pequena maravilha.



 ELLA FITZGERALD: SINGS THE GERSHWIN SONG BOOK (1959)
Em 1946, Norman Granz colocou Ella Fitzgerald, então com 28 anos, sob sua proteção, escalando a cantora para participar numa série de shows organizados por ele só com estrelas do jazz, conhecida como Jazz At The Philharmonic.
No entanto, a fama de Ella só se tornou incontestável quando Granz a contratou, pelo seu selo Verve, para fazer uma coleção de álbuns com a obra dos melhores compositores americanos – entre eles Richard Rodgers e Duke Ellington.
Se um pouco da malícia de Cole Porter se perdeu na interpretação de Ella Fitzgerald, e nem todas as músicas de Rodgers e Hart mereceram a sua atenção, as melodias incomparáveis de Gershwin e o à vontade de cantar da diva foram feitos um para o outro.
A terna “Oh, Lady, Be Good!” é uma revelação, uma interpretação próxima às aulas de scat que Ella daria em seus shows durante anos; a lenta “Embraceable You” é, da mesma forma, envolvente. Mas é nas músicas rápidas que ela brilha. O swing que Ella emprestava, sem esforço, a tudo o que cantava encontra o seu melhor em “Clap Yo’ Hands”, “Bidin’ My Time” e na deliciosa “‘S Wonderful”; vale ouro o tempero que ela acrescenta à contraposição quase clown, burlesco, dos versos de Ira Gershwin em “Let’s Call The Whole Thing Off”.
Riddle, no auge de sua criatividade depois de vários discos com Frank Sinatra, mostra-se inspirado. Este álbum é a seleção definitiva da obra daquele que é, talvez, o compositor americano definitivo.


 SARAH VAUGHAN: AT MISTER KELLY´S
Sarah Vaughan já era uma das mais adoradas divas do jazz quando fez uma temporada de uma semana no Mister Kelly’s, um badalado clube de jazz de Chicago, no verão de 1957.
Ella Fitzgerald estava embrenhada cada vez mais no swing e Billie Holiday mergulhava no lirismo musical, e nenhuma cantora de jazz se comparava a Vaughan com sua voz impecável e sumptuosa sonoridade. Cantora enorme, com total controle do timbre e da dinâmica, Sarah usava a sua rica voz de contralto como uma trompa, embelezando as melodias com uma imaginativa estrutura de composição, típica dos melhores improvisadores instrumentais do jazz.
 Conhecida como “Sassy” devido à sua irreverência, Vaughan foi uma peça-chave na criação do bebop, embora nem sempre receba esses créditos.
Funcionava melhor quando acompanhada por poucos músicos e nunca cantou com um trio tão bom como este que levou para o Mister Kelly’s, composto pelo subestimado pianista Jimmy Jones, o monstro do baixo Richard Davis e o moderno baterista de jazz Roy Haynes, que fazia um contraponto perfeito para Vaughan com as suas entradas peculiares e luminosas.
Vaughan está inefável em “September In The Rain” e sensual em “Honeysuckle Rose”. Quando esquece a letra em “How High The Moon”, tem presença de espírito e oferece alguns improvisos em homenagem a Ella Fitzgerald. Álbum que foi reeditado em 1991 e que contêm o dobro das musicas do original.

sábado, 10 de março de 2012

Relembrar a voz poderosa de Abbey Lincoln.

Poucas cantoras tinham a profundidade emocional e a versatilidade de Abbey Lincoln. Com uma voz capaz de evocar as alegrias e dores da vida, foi, durante 40 anos, conquistando um lugar como cantora, compositora e contadora de historias exemplar. Nascida a 6 de Agosto de 1930, em Chicago, Abbey cresceu no Michigan rural, numa grande quinta, juntamente com os seus onze irmãos. A familia tinha um piano e Abbey foi desenvolvendo o seu interesse pela musica numa idade muito precoce, e cedo começou a cantar na escola e nos coros da igreja. À medida que o seu talento foi amadurecendo, começou a aprender a expressar as emoções por detrás das letras das canções. Mais tarde creditou ás gravações de Billie Holiday, Sarah Vaughan e Dinah Washington essa sua capacidade de conseguir cantar com convicção. Em 1956, Abbey gravou o seu primeiro álbum, Abbey Lincoln's Affair: A Story of a Girl in Love. No ano seguinte mudou-se para Nova Iorque e começou a trabalhar no Village Vanguard, por esses tempos o mais perfeito clube para lançamento de aspirantes a artistas jazz. Nesse período conheceu o baterista, compositor e inovador do bebop Max Roach, com quem casaria mais tarde.
Foi Roach quem a apresentou á elite do jazz de New York. E foi tambem quem desempenhou um papel importante no seu desenvolvimento como artista sócio-politica e activista. Nos fins de 50 e durante a década de 60, Abbey e Roach tiveram uma colaboração tranquila e bastante frequente, e junto com outros grandes nomes como Charles Mingus, Oscar Brown Jr, e John Coltrane foram peças preponderantes no desenvolvimento do Movimento dos Direitos Civis.
Após o divorcio de Roach, Abbey voltou para California e mergulhou em todos os tipos de arte, tendo feito inclusive dois filmes, Nothing But a Man e For the Love of Ivy . Mesmo sabendo que ela estava experimentando algumas dificuldades financeiras durante essa altura, a cantora Miriam Makeba ofereceu-lhe a oportunidade de visitar a África. Viagem que teve efeitos positivos na sua perspectiva de ver o mundo. Durante os 70s e 80s, Abbey gravou para pequenas editoras independentes como a Inner City e a Enja. A sua carreira teve então em 1989 um impulso maior quando assinou pela Verve e gravou o álbum When The World Is Falling Down. Álbum com a colaboração de luminárias como o saxofonista Jackie McLean, o pianista Hank Jones e o trompetista Clark Terry, e que lhe permitiu o seu regresso ao estrelato.
Manteve o seu estatuto de grande cantora ampliando sempre as expectativas dos apreciadores de jazz até ao dia 14 de Agosto de 1910, dia em que faleceu, em Nova Iorque, numa casa de repouso.

terça-feira, 6 de março de 2012

Ludovic Navarre aka St. Germain

Na corte de Luis XV, na França do século 18, apareceu um personagem que espantou toda a gente pretendendo ter vários séculos de idade. Atendia pelo nome de St. Germain. Quando entramos no século XXI, existe uma pessoa igualmente impressionante, que no entanto afirma ter apenas 30 anos e não ser nem vigarista, nem aristocrata, mas apenas um compositor e trabalhador incansável. Ludovic Navarre, alias Saint Germain, pioneiro do French Touch, a nova musica electrónica francesa, tornou-se uma indiscutível e respeitável referência na cena musical internacional. Sem ele, Daft Punk, Air e Dimitri From Paris, provavelmente seriam músicos sem qualquer reconhecimento. Um reservado e taciturno habitante dos subúrbios de Paris, Ludovic nunca se sente mais feliz do que quando está de volta do seu estúdio em casa, brincando com os seus samples e loops. Foi lá que, em 1991, criou o seu tipo de musica de fusão misturando techno com jazz e blues, e ambient, house e dub. Longe de ser uma simples e comercial colagem de sons, foi uma mistura que amadureceu lentamente, uma mistura habilidosa de máquinas e instrumentos, raízes e modernidade. Depois de uma variedade de experiências como DJ e do lançamento de Eps sob vários pseudónimos, encontrou e estabilizou debaixo de uma roupagem jazz em Saint Germain, e desde o álbum Boulevard, lançado em Julho de 1995, o grupo tem sido composto permanentemente por Pascal Ohse no trompete, Edouard Labour no saxofone e flauta, Alexandre Destrez nos teclados e Edmondo Carneiro na percussão.